Os programas de governo dos candidatos à Presidência da República apresentam abordagens diferentes para o Nordeste. Ronaldo Caiado (PSD), Augusto Cury (Avante), Renan Santos (Missão) e Flávio Bolsonaro (PL) são os que reúnem o maior número de propostas específicas para a região, o Semiárido ou políticas de desenvolvimento regional.
Entre as medidas listadas estão a instalação de data centers, a expansão do 5G, a construção de ferrovias, a industrialização e a valorização da Caatinga. Luiz Inácio Lula da Silva (PT) também dedica um capítulo ao desenvolvimento regional e menciona o Nordeste em propostas nacionais de infraestrutura, conectividade e segurança hídrica.
Ronaldo Caiado apresenta quatorze propostas específicas para o Nordeste. Seu programa menciona a região nove vezes e dedica três páginas ao capítulo “Política para o Nordeste: desenvolvimento, água e oportunidades”. O candidato propõe o Pacto Nordeste 2030, com parcerias entre governadores, prefeitos, setor produtivo e instituições locais.
Augusto Cury reúne nove propostas em cinco páginas do capítulo “Brasil Oásis: Revolução no Semiárido”, que também abrange o Norte de Minas Gerais. Renan Santos concentra oito propostas em três páginas, com foco na industrialização e na criação de Zonas Econômicas Especiais. Flávio Bolsonaro apresenta sete propostas em quatro páginas, no capítulo “Desenvolvimento regional: reduzir a distância entre as regiões”.
Lula tem seis propostas relacionadas ao Nordeste ao longo de quatro páginas. O programa inclui a região no capítulo “Desenvolvimento regional” e em outros trechos voltados a políticas nacionais. Samara Martins (UP) apresenta uma proposta diretamente associada ao Nordeste, voltada à proteção da Caatinga.
Romeu Zema (Novo) é o único candidato que aparece nas pesquisas eleitorais e não faz menção ao Nordeste. A expressão “desenvolvimento regional” aparece em seu programa apenas associada a políticas culturais. Pablo Marçal (PRTB) menciona brevemente o desenvolvimento regional, enquanto Edmilson Costa (PCB) se refere somente a “regiões menos assistidas”.
Data centers e energia
Renan Santos, Caiado e Flávio Bolsonaro propõem atrair data centers para o Nordeste. Caiado relaciona esses empreendimentos à expansão da energia renovável, à industrialização e à geração de empregos locais. Flávio Bolsonaro associa os centros de dados à disponibilidade de energia solar e eólica e pretende transformar a região em polo tecnológico.
Renan Santos propõe fazer do Brasil “o maior exportador de inferência computacional do hemisfério ocidental, transformando o Nordeste, em especial, na Arábia Saudita do Brasil”. Lula também defende o fortalecimento da cadeia nacional de data centers, mas a medida aparece no capítulo sobre economia digital, sem relação direta com o Nordeste.
Avaliação de especialistas
Para Tânia Bacelar, economista e socióloga especializada em desenvolvimento regional, o Nordeste deve ser contemplado tanto por políticas específicas quanto por medidas nacionais que levem em conta as diferenças entre as regiões. Ela defende a transformação da base produtiva do Semiárido, o combate à desertificação, a recuperação de áreas degradadas e a atuação no mercado de carbono.
O cientista político Arthur Leandro, professor de Políticas Públicas da Universidade Federal de Pernambuco, afirmou que os candidatos competitivos tratam o Nordeste como uma área estratégica para o desenvolvimento do país. Ele também relacionou a atenção à região a uma estratégia eleitoral, já que pesquisas dos institutos Quaest e Datafolha mostram Lula à frente em todos os estados nordestinos.
Leandro ressalvou que a quantidade de páginas ou a existência de um capítulo específico não determina, por si só, a qualidade ou a viabilidade de uma política regional. Para ele, é necessário avaliar a previsão de financiamento, as condições de execução, a coordenação entre União, estados e municípios e a capacidade de gerar emprego, renda e ganhos duradouros para a população local.
Respostas dos candidatos
Caiado afirmou que o Nordeste tem potencial em energia solar e eólica, agronegócio, indústria, tecnologia e turismo. Também citou água, infraestrutura, saneamento, logística e segurança como prioridades e defendeu o fortalecimento do Banco do Nordeste, do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste e da Sudene.
Samara Martins disse que sua meta é transformar o Nordeste em polo de ciência, tecnologia e produção de alimentos. Entre as medidas apresentadas estão reforma agrária, apoio à agricultura camponesa, construção de universidades e escolas técnicas e uma política de frentes emergenciais de trabalho nos primeiros 100 dias de governo.
Rui Costa Pimenta afirmou que o programa do PCO se aplica integralmente ao Nordeste e, por isso, não trata a região em capítulo separado. Entre as propostas citadas estão a expropriação de latifúndios, a estatização dos bancos, o fim do pagamento da dívida pública, a redução da jornada de trabalho, a autodemarcação de terras indígenas e o controle nacional sobre energia, portos e recursos hídricos.
No conjunto dos programas, Nordeste e Norte/Amazônia são apresentados como regiões que precisam enfrentar desigualdades e desenvolver seu potencial econômico. O Sul e o Sudeste não têm capítulos próprios, mas aparecem em políticas nacionais de indústria, infraestrutura, tecnologia, mineração, mobilidade e energia. O Centro-Oeste é associado principalmente ao agronegócio, às ferrovias, aos corredores de exportação, à armazenagem, à irrigação e à logística.







