A alimentação tem relação com a saúde do cérebro, mas nenhum alimento é capaz, sozinho, de recuperar a memória ou impedir doenças como Alzheimer. Estudos associam padrões alimentares ricos em vegetais, frutas, leguminosas, castanhas e peixes a melhores indicadores de saúde cognitiva.
Entre esses padrões está a dieta MIND, que reúne características das dietas mediterrânea e prioriza esses grupos de alimentos. O Instituto Nacional do Envelhecimento dos Estados Unidos, ligado ao National Institutes of Health, afirma que ainda são necessárias mais pesquisas para saber se esse tipo de alimentação consegue prevenir ou retardar doenças neurodegenerativas.
A nutróloga Sandra Fernandes, da Kora Saúde, ressalta que a atenção à alimentação pode ser especialmente importante para pessoas que comem pouco ou seguem dietas muito restritivas. A qualidade da alimentação como um todo é mais relevante do que a escolha de um item específico.
Alimentos e nutrientes
Sardinha, salmão, cavalinha e outros peixes fornecem ácidos graxos ômega 3, especialmente DHA e EPA. O DHA integra células do cérebro e participa do funcionamento do sistema nervoso. O EPA está relacionado à saúde cardiovascular e à regulação da inflamação. Uma revisão publicada no Nutrition Reviews associou o consumo de peixe a menor risco de declínio cognitivo em alguns estudos, mas os resultados de ensaios clínicos com suplementos não confirmaram de forma consistente a prevenção da demência.
O ovo é fonte de colina, nutriente usado pelo organismo na produção de acetilcolina, neurotransmissor envolvido em funções do sistema nervoso, incluindo memória e aprendizagem. Isso não significa que comer mais ovos necessariamente melhore a memória.
Feijão, lentilha e grão-de-bico fornecem fibras, proteínas, minerais e vitaminas do complexo B. A deficiência de vitamina B12 pode estar associada a fadiga, confusão e problemas de memória, segundo o National Heart, Lung, and Blood Institute. Ainda assim, cansaço e lapsos de memória também podem ter relação com sono inadequado, estresse, alterações metabólicas, medicamentos e outras condições. A investigação de deficiências deve ocorrer quando houver indicação médica.
Couve, brócolis, espinafre e outras verduras verde-escuras estão entre os alimentos priorizados pela dieta MIND. O padrão também inclui frutas vermelhas, castanhas, feijão, grãos integrais e peixe. Estudos observacionais citados pelo Instituto Nacional do Envelhecimento encontraram associação entre maior adesão à dieta e menor risco de demência e declínio cognitivo, mas não provam causa e efeito.
Morangos, amoras e mirtilos fornecem fibras, compostos bioativos, vitaminas e minerais. Frutas cítricas, como laranja e mexerica, também podem integrar uma alimentação variada. Castanhas e outras oleaginosas oferecem gorduras insaturadas, proteínas, fibras e minerais. A recomendação é ampliar a variedade dos alimentos, sem transformar um item específico em promessa de melhora da memória.







