São José dos Campos, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Saúde

Enxaguantes podem afetar bactérias da boca, mas estudos não provam danos sistêmicos

Pesquisas associam o uso prolongado de alguns produtos a mudanças no microbioma e irritações, mas não confirmam causa e efeito para doenças.

Enxaguantes podem afetar bactérias da boca, mas estudos não provam danos sistêmicos
Foto: Goffkein/Adobe Stock

O uso prolongado de alguns enxaguantes bucais pode modificar o microbioma oral e irritar tecidos da boca, mas as pesquisas disponíveis não comprovam que esses produtos causem diabetes tipo 2, pressão alta ou doenças cardíacas. Especialistas também afirmam que o uso ocasional de produtos vendidos sem receita tende a não prejudicar a saúde bucal ou geral.

A boca reúne microrganismos que precisam permanecer em equilíbrio. Entre eles estão bactérias que participam de funções benéficas, como a conversão de nitratos dos alimentos em óxido nítrico. Essa substância relaxa os vasos sanguíneos e reduz a pressão arterial, explica Purnima Kumar, professora de periodontia e medicina oral da Faculdade de Odontologia da Universidade de Michigan.

O que foi observado nos estudos

Pesquisas recentes, ainda limitadas, identificaram alterações no microbioma oral associadas a determinados enxaguantes terapêuticos. Esses produtos contêm princípios ativos para combater problemas como mau hálito, doenças gengivais e cáries. Já os enxaguantes cosméticos mascaram temporariamente o mau hálito e deixam um sabor agradável, sem princípios ativos destinados a eliminar germes.

Um ensaio publicado em 2020 acompanhou 36 adultos saudáveis do Reino Unido. Eles usaram um placebo e, depois, um enxaguante com clorexidina, sempre duas vezes ao dia durante sete dias. O produto com o antisséptico foi associado a uma grande mudança no microbioma da saliva. Também deixou a boca mais ácida, o que pode elevar o risco de cáries, e reduziu a quantidade de bactérias relacionadas a uma pressão arterial saudável.

Ainda não está claro se outros antissépticos presentes em produtos populares vendidos sem receita, como cloreto de cetilpiridínio, óleos essenciais, iodo e peróxido de hidrogênio, produzem alterações semelhantes às da clorexidina. Richard Nejat, periodontista de Nova York, afirma que o uso prolongado desses ingredientes pode ter esse efeito, embora as evidências sejam limitadas.

Alguns estudos encontraram associação entre o uso regular de enxaguante, como duas vezes ao dia durante anos, e maior risco de diabetes tipo 2 e pressão alta. Vivek Thumbigere-Math, professor associado de periodontia da Faculdade de Odontologia da Universidade de Maryland, ressalta que essas pesquisas tinham limitações e não demonstraram relação de causa e efeito.

Irritação e escolha do produto

Enxaguantes com álcool ou peróxido podem irritar gengivas, língua, parte interna das bochechas e outros tecidos moles. Óleos essenciais e agentes espumantes também podem provocar ardência, úlceras e, em casos extremos, descamação da parte interna da boca.

Quando houver indicação de uso, a recomendação dos especialistas é escolher um produto voltado para um problema específico. Pessoas com alto risco de cáries podem se beneficiar de enxaguantes com flúor. Para quem tem boca seca, há produtos formulados para estimular ou imitar a saliva. Enxaguantes terapêuticos também podem ser úteis quando a pessoa não consegue escovar os dentes ou usar fio dental normalmente, inclusive depois de determinados procedimentos odontológicos.

Segundo Nejat, os produtos com flúor podem ser mais seguros no longo prazo do que os antissépticos porque atuam principalmente no fortalecimento do esmalte, em vez de matar bactérias. Pessoas com boca seca, feridas ou sensibilidade nas gengivas e nos dentes devem preferir versões sem álcool. Quem tem dentes sensíveis deve evitar o uso frequente de enxaguantes clareadores.

Para a maioria das pessoas, o enxaguante é opcional. A escovação, o fio dental e as limpezas odontológicas regulares continuam sendo as principais medidas de higiene bucal. Kumar resume a recomendação: "O enxaguante bucal não é algo para usar todos os dias, pela vida inteira", especialmente quando se trata de produto vendido sob prescrição.

Texto produzido pela Redação Fato Aberto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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