São José dos Campos, Sexta-feira, 2 de outubro de 2026
Saúde

HPV: veja quais adultos podem receber a vacina gratuitamente pelo SUS

Imunização para maiores de 14 anos é destinada a grupos específicos, como imunossuprimidos, usuários de PrEP e vítimas de violência sexual.

HPV: veja quais adultos podem receber a vacina gratuitamente pelo SUS
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A vacinação contra o HPV não é restrita a adolescentes. Embora a imunização de rotina priorize meninos e meninas de 9 a 14 anos, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece o imunizante a adultos que pertencem a grupos definidos pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI).

A vacina é considerada a principal forma de prevenção contra o HPV, uma infecção sexualmente transmissível. Cerca de 8 em cada 10 pessoas sexualmente ativas terão contato com algum tipo do vírus ao longo da vida.

Quem pode ser vacinado na idade adulta

De acordo com o Ministério da Saúde, pessoas de determinados grupos podem receber a vacina gratuitamente até os 45 anos, com receita médica. A lista inclui pessoas imunodeprimidas de 9 a 45 anos, entre elas aquelas que vivem com HIV/Aids, transplantadas e pacientes oncológicos.

Também podem ser vacinadas vítimas de abuso sexual de 15 a 45 anos e usuários de PrEP, a profilaxia pré-exposição ao HIV, na mesma faixa etária. Para esses dois grupos, são previstas três doses. Pessoas com papilomatose respiratória recorrente (PRR) podem receber o imunizante a partir dos 2 anos, desde que haja indicação médica.

Para adultos elegíveis, o esquema costuma ter três doses nos meses 0, 2 e 6, mas há orientações específicas conforme a situação clínica. A rede privada também oferece a vacina.

Em 2026, o Ministério da Saúde prorrogou até 31 de dezembro a estratégia de resgate voltada a adolescentes e jovens de 15 a 19 anos sem vacinação ou sem registro de dose.

Vacina não trata infecção já instalada

Ter tido HPV anteriormente não impede a vacinação, desde que a pessoa esteja em um dos grupos atendidos pelo SUS. Segundo o Ministério da Saúde, há evidências de que o imunizante possa ajudar a evitar novas infecções ou reativações relacionadas aos tipos cobertos, mas ele não trata uma infecção existente.

A proteção tende a ser maior quando ocorre antes do contato com o vírus. Por isso, a vacinação de rotina é concentrada na adolescência.

Há mais de 100 tipos de HPV. Muitas infecções desaparecem sem sintomas, mas casos persistentes causados por tipos de alto risco podem provocar alterações celulares e, com o tempo, evoluir para câncer. O vírus está associado a tumores do colo do útero, ânus, pênis, vulva, vagina e orofaringe, além de verrugas genitais.

Um estudo divulgado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) estimou que quase um em cada três homens com mais de 15 anos tem algum tipo de HPV genital. Um em cada cinco apresenta uma variedade considerada de alto risco.

Resultados observados no Brasil

Pesquisa de especialistas da Fiocruz Bahia analisou dados do SUS entre 2019 e 2023 e acompanhou mais de 60 milhões de mulheres-ano de 20 a 24 anos. Entre as participantes que estavam na faixa etária indicada para a vacinação, foram registradas reduções de 58% nos casos de câncer do colo do útero e de 67% nas lesões pré-cancerosas graves, classificadas como NIC 3.

Os resultados indicam efeitos da vacinação antes da exposição ao HPV na prevenção de doenças graves.

Preservativo continua recomendado

A vacina não protege contra todas as variedades de HPV nem contra outras infecções sexualmente transmissíveis. O preservativo reduz o risco de transmissão, mas não elimina totalmente a possibilidade de contágio, porque o vírus pode estar em áreas da pele que ficam descobertas.

Para mulheres, o cuidado também inclui o rastreamento do câncer do colo do útero, que pode detectar alterações antes da progressão para uma doença mais grave.

Em 2025, a Anvisa aprovou uma nova indicação da Gardasil 9 para a prevenção de cânceres de orofaringe e de outros tumores de cabeça e pescoço relacionados ao HPV em homens e mulheres de 9 a 45 anos. Essa decisão não ampliou automaticamente a oferta gratuita do SUS a todos os adultos até 45 anos.

A indicação aprovada na bula e os grupos incluídos no programa público são regras diferentes. Adultos de 15 a 45 anos devem verificar em uma unidade do SUS ou em um serviço de vacinação de referência se fazem parte dos grupos contemplados pelo PNI.

Texto produzido pela Redação Fato Aberto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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