São José dos Campos, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Saúde

Imposto sobre grandes fortunas poderia evitar 29,5 milhões de mortes até 2030

Estudo estima que a taxação de 3% sobre a riqueza dos multimilionários compensaria cortes na ajuda internacional.

Imposto sobre grandes fortunas poderia evitar 29,5 milhões de mortes até 2030

Um imposto de 3% sobre a riqueza dos multimilionários poderia evitar até 29,5 milhões de mortes até 2030, segundo estimativas de um estudo publicado na revista The Lancet. A medida é analisada em um cenário de redução do financiamento humanitário e do apoio ao desenvolvimento destinado a países de baixo e médio rendimento.

A investigação considera que a ajuda oficial ao desenvolvimento foi reduzida em quase um quarto. Todos os principais doadores cortaram esse tipo de assistência em 2024 e 2025, e são esperadas novas reduções entre 2025 e 2026. O apoio inclui áreas como saúde, saneamento, educação e infraestrutura.

Cenário de cortes e alternativas

Se o atual desfinanciamento continuar, a redução da ajuda poderá resultar em 7,6 milhões de mortes até 2030, entre elas 1,4 milhões de crianças com menos de 5 anos. Esse cenário foi usado como referência para avaliar políticas de redistribuição de riqueza.

Os pesquisadores analisaram dados de 59 países de baixo rendimento e de rendimento médio-baixo entre 2002 e 2021, abrangendo 3,9 bilhões de pessoas. Em seguida, modelaram como diferentes políticas fiscais poderiam compensar até 2030 as reduções previstas na ajuda.

O estudo estima que um imposto de 1% sobre o patrimônio estaria associado a 15,1 milhões de mortes evitadas. Uma taxa sobre transações financeiras, conhecida como taxa Tobin, foi relacionada a cerca de 24,5 milhões de mortes evitadas. Já um imposto mínimo global sobre multinacionais com receitas superiores a 750 milhões de euros foi associado a aproximadamente 20,1 milhões de mortes evitadas.

As estimativas consideram um cenário com mais de 3.000 bilionários, que reúnem patrimônio de 17,4 trilhões de euros. Os pesquisadores ressaltam que os resultados são modelados e não representam previsões de mortes que necessariamente ocorrerão ou serão evitadas.

Lucio Exposito, economista sênior do estudo e pesquisador da ICESI School of Economics e da School of Global Development da Universidade de East Anglia, afirmou que a tributação de grandes fortunas aparece como uma das estratégias mais viáveis diante do endividamento dos países doadores e do aumento dos gastos militares.

A tributação da riqueza já foi adotada ou discutida em alguns países. A Espanha criou em 2022 um imposto solidário sobre o patrimônio, com alíquotas entre 1,7% e 3,5% para pessoas com ativos líquidos superiores a 3 milhões de euros. A França discutiu uma cobrança de 2% sobre fortunas muito elevadas, mas uma proposta recente foi rejeitada pelo Senado. A Suécia manteve um imposto sobre a riqueza por várias décadas antes de eliminá-lo em 2007.

Texto produzido pela Redação Fato Aberto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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