São José dos Campos, Sexta-feira, 2 de outubro de 2026
Saúde

Internações por saúde mental têm maior presença de mulheres entre casos de autolesão

Levantamento da Plataforma DRG Brasil mostra diferenças por idade, sexo, mecanismo da lesão e necessidade de terapia intensiva.

Internações por saúde mental têm maior presença de mulheres entre casos de autolesão

A participação feminina foi maior entre pacientes internados com registro de lesão autoprovocada do que no conjunto das internações para tratamento de saúde mental. No primeiro semestre de 2026, as mulheres representaram 68,3% dos casos de autolesão, ante 54,0% de todas as internações por transtornos mentais e comportamentais.

Os dados são de um levantamento da Plataforma DRG Brasil, do Grupo IAG Saúde, realizado no contexto do Setembro Amarelo. Entre as internações analisadas, a idade média dos pacientes com lesão autoprovocada foi de 31,3 anos, abaixo dos 40,5 anos registrados no total de internações por saúde mental.

Crianças e adolescentes ampliam participação

A proporção de pacientes com até 17 anos entre as internações com lesão autoprovocada subiu de 13,3% no primeiro semestre de 2025 para 15,0% no mesmo período de 2026. No conjunto das internações por saúde mental, essa faixa etária correspondia a 8,6% e 9,4%, respectivamente.

Para Breno Duarte, presidente do Grupo IAG Saúde, o perfil etário exige identificação antecipada de situações de sofrimento e vulnerabilidade. Ele afirma que a prevenção depende de uma rede capaz de reconhecer sinais de risco e manter o acompanhamento.

A autointoxicação por medicamentos e drogas foi o mecanismo mais frequente nos dois períodos: correspondeu a 70,0% dos registros em 2025 e a 67,7% em 2026. O percentual foi de 73,8% entre as mulheres e de 58,6% entre os homens.

Entre os homens, enforcamento, sufocação ou afogamento representaram 10,1% dos registros, contra 3,5% entre as mulheres. Nos pacientes de até 17 anos, objetos cortantes ou contundentes responderam por 17,2% das ocorrências, ante 7,9% entre adultos de 18 a 59 anos.

Terapia intensiva e evolução hospitalar

No primeiro semestre de 2026, foram cerca de 14,7 mil internações para tratamento de saúde mental. Desse total, 1.841, ou 12,5%, tiveram registro de lesão autoprovocada. Em 2025, foram 14.166 internações, com 1.887 casos, equivalentes a 13,3%.

A necessidade de passagem pelo CTI alcançou 26,1% dos pacientes com esse registro em 2026, enquanto em 2025 o índice foi de 25,2%. A permanência média no hospital aumentou de 4,1 dias para 4,7 dias. O custo assistencial médio passou de R$ 4,8 mil para R$ 5,4 mil.

A mortalidade hospitalar foi de 0,6% em 2025 e de 0,8% em 2026. As maiores proporções de óbito ocorreram nos registros classificados como queda, impacto e outros mecanismos físicos, com 3,1%; enforcamento, sufocação ou afogamento, com 2,4%; e autointoxicação por outras substâncias, com 1,8%.

O Grupo IAG Saúde ressalta que a morte durante uma internação com registro de lesão autoprovocada não permite, sozinha, afirmar que o óbito foi causado pela autoagressão ou classificá-lo como suicídio. Para medir suicídios concretizados, é necessária uma base específica de mortalidade que identifique a causa da morte.

O estudo é observacional, retrospectivo e descritivo. Foram consideradas internações cujo diagnóstico principal pertence ao grupo F00-F99 da CID-10, referente a transtornos mentais e comportamentais. Os registros de lesão autoprovocada foram identificados pela presença de diagnóstico secundário entre X60 e X84. Esses códigos indicam a intencionalidade da autoagressão, mas não determinam, isoladamente, a intenção de provocar a própria morte.

Texto produzido pela Redação Fato Aberto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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