São José dos Campos, Sexta-feira, 2 de outubro de 2026
Brasil

Escudo das Américas mira 24 grupos e amplia pressão sobre o Brasil

Iniciativa liderada pelos Estados Unidos reúne 14 países e prevê medidas contra facções como PCC e Comando Vermelho.

Escudo das Américas mira 24 grupos e amplia pressão sobre o Brasil

O Departamento de Estado dos Estados Unidos divulgou na terça-feira (22) uma declaração conjunta com 14 países da América Latina e do Caribe que integram o Escudo das Américas. O documento manifesta a intenção de classificar 24 grupos criminosos como organizações terroristas, entre eles o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV).

As duas facções brasileiras já haviam sido classificadas pelos Estados Unidos como grupos terroristas em maio de 2026. A declaração também alcança cartéis de narcotráfico do México, da Venezuela e do Equador.

Como funciona a iniciativa

Criado em março de 2026, o Escudo das Américas é uma iniciativa militar liderada pelos Estados Unidos para coordenar ações de segurança em países ocidentais. O grupo concentra-se no combate à imigração em massa para o território americano, ao crime organizado e ao narcotráfico.

Além dos Estados Unidos, participam Argentina, Bolívia, Colômbia, Chile, Costa Rica, República Dominicana, Equador, El Salvador, Guiana, Honduras, Panamá, Paraguai, Peru e Trinidad e Tobago. Brasil e México não foram convidados. Os dois países são governados pela esquerda e têm organizações criminosas em seus territórios, além de serem as maiores economias da América Latina e possuírem duas das maiores forças armadas da região.

O Brasil, sob o governo de Luiz Inácio Lula da Silva, é visto pelos Estados Unidos como um país não amigável ao governo de Donald Trump, avaliação já manifestada por Marco Rubio, secretário de Estado americano. Para Carolina Pedroso, professora de relações internacionais da Unifesp, a percepção sobre o Brasil não é uniforme entre os governos conservadores latino-americanos. “Não vejo que a visão desses países seja necessariamente negativa em relação ao Brasil e nem mesmo uniforme entre si”, afirmou.

A professora citou diferenças entre os integrantes da iniciativa. O presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, pediu ajuda a Lula durante a crise interna boliviana em maio de 2026, enquanto o presidente argentino, Javier Milei, faz ataques pessoais ao brasileiro. Na avaliação de Pedroso, o Escudo das Américas tende mais a encurralar o Brasil do que a isolá-lo, funcionando como uma linha auxiliar dos Estados Unidos.

Medidas previstas

A declaração é um memorando de intenções. Os signatários concordam em designar os 24 grupos como terroristas, adotar ações contra eles e incorporar essas medidas a seus ordenamentos jurídicos.

O grupo também pretende apresentar uma solicitação conjunta ao presidente do Conselho Permanente da OEA, a Organização dos Estados Americanos, para pedir uma reunião nos termos do Tiar, o Tratado Interamericano de Assistência Recíproca, também chamado de Tratado do Rio. A intenção é buscar uma base legal para eventuais ações e articular novas medidas contra as facções.

O Tiar foi firmado em 1947 durante a Guerra Fria. Seu princípio central é que um ataque contra um país-membro seja considerado um ataque contra todos os demais.

Entre as medidas anunciadas estão o congelamento de ativos, restrições de imigração e de visto para integrantes, associados e apoiadores das organizações, além da responsabilização criminal de quem fornecer conscientemente apoio material ou logístico a elas.

Argentina e Paraguai já tinham classificado o PCC e o CV como organizações terroristas em outubro de 2025, depois de uma operação no Rio de Janeiro que deixou 121 mortos. O Brasil mantém a posição de não classificar essas facções como grupos terroristas porque entende que elas buscam lucro por meio do crime, principalmente com o tráfico de drogas e armas, e não agem por motivos ideológicos, políticos ou religiosos.

Possíveis efeitos

A designação pode abrir margem para operações militares e sanções econômicas, com possíveis impactos sobre civis, empresas e setores econômicos. O congelamento de ativos e as restrições de visto também podem ser usados para perseguir ou constranger adversários políticos.

Carolina Pedroso apontou dois cenários: uma ação direta dos Estados Unidos em território ou na fronteira brasileira, com anuência de aliados regionais, e operações coordenadas pelas Forças Armadas de países vizinhos, com apoio americano, também sob o argumento do combate ao narcoterrorismo. Para ela, o segundo cenário parece mais provável.

Roberto Uchôa, pesquisador da Universidade de Coimbra e conselheiro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, classificou a medida como política e afirmou que ela não teria efeito prático. Ele disse que muitos signatários não têm peso político, econômico ou militar para se contrapor ao Brasil ou conduzir grandes operações contra o narcotráfico na região.

Uchôa também afirmou que o objetivo dos Estados Unidos seria afastar o Brasil da China e influenciar as eleições brasileiras. O primeiro turno acontece em 4 de outubro. Para o pesquisador, a movimentação busca favorecer uma mudança de governo e um eventual alinhamento da nova gestão aos interesses americanos.

Texto produzido pela Redação Fato Aberto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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