Cerca de 15 famílias de crianças que estudam em escolas de Paris anunciaram uma queixa à Justiça contra a Prefeitura da capital francesa, o prefeito Emmanuel Grégoire e a ex-prefeita Anne Hidalgo. Os pais denunciam violências e abusos sexuais ocorridos em atividades extracurriculares e pedem que sejam investigadas possíveis omissões das autoridades.
Reunidas no coletivo MeToo Ecole, as famílias têm filhos matriculados em escolas dos 9º, 11º e 15º distritos. A queixa será protocolada no Ministério Público de Paris pelos advogados Maxime Delacarte, Elise Le Gall, Julia Basile e Kathleen Taieb. Patrick Bloche, responsável pelos assuntos escolares na prefeitura e primeiro adjunto de Hidalgo até 2026, também é citado no processo.
Os advogados afirmam que a prefeitura e seus responsáveis tinham conhecimento dos riscos enfrentados pelas crianças. A acusação inclui os crimes de colocar deliberadamente terceiros em perigo, omissão de socorro a pessoa em situação de risco e ausência de denúncia de infrações cometidas contra menores. Algumas das crianças tinham entre dois e quatro anos.
Em 2015, um relatório da Inspetoria-Geral da Prefeitura de Paris teria identificado uma situação de risco e apresentado 50 recomendações, que, segundo Delacarte, não foram implementadas. O advogado afirmou que foi necessário esperar até 2025 para surgirem os primeiros sinais de medidas concretas.
A equipe de Grégoire declarou que o prefeito tomou conhecimento da iniciativa e permanece disponível para colaborar com a Justiça. Também afirmou que, desde que assumiu o cargo, em março de 2026, ele está mobilizado para proteger as crianças e reforçar mecanismos de prevenção, denúncia e fiscalização.
Grégoire foi adjunto da Prefeitura de Paris durante dez anos e primeiro adjunto de Hidalgo entre 2018 e 2024. Ele deixou o Executivo municipal em meados de 2024 para se tornar deputado. A queixa o menciona como prefeito em exercício e ex-primeiro adjunto.
A Prefeitura de Paris suspendeu 20 monitores por fatos de natureza sexual em 2025 e 52 desde o início de 2026. No total, desde o início de 2026, 132 monitores foram suspensos, dos quais 52 por suspeitas de violência sexual ou sexista. Mais de 200 investigações criminais estão em andamento em escolas primárias e creches da capital, incluindo casos no ambiente escolar e em atividades extracurriculares.
Hidalgo e Bloche já são alvos diretos de três queixas apresentadas no fim de agosto por famílias da escola Saint-Dominique, no 7º distrito de Paris. O advogado de Hidalgo, Patrick Klugman, negou que ela tenha cometido falha, fraqueza ou omissão.
Representantes eleitos da direita e do centro, entre eles Rachida Dati, e o grupo copresidido por Sophia Chikirou também encaminharam uma denúncia ao Ministério Público. Hidalgo, Bloche e Grégoire deverão ser ouvidos em meados de setembro pela comissão de inquérito do Senado sobre violências em atividades extracurriculares.
Grégoire lançou um plano de ação de € 20 milhões para combater a violência sexual nas atividades extracurriculares. A advogada Kathleen Taieb afirmou que as medidas são bem-vindas, mas que é necessário garantir sua aplicação efetiva.







