São José dos Campos, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Pragas e falta de estrutura ampliam riscos em abrigos de deslocados em Gaza

Relatos de moradores e dados da ONU mostram presença de animais e parasitas em tendas e locais de acolhimento na Faixa de Gaza.

Pragas e falta de estrutura ampliam riscos em abrigos de deslocados em Gaza

A presença de roedores, insetos, escorpiões e cobras se tornou frequente em tendas e locais de acolhimento de deslocados na Faixa de Gaza. O problema ocorre em meio a condições precárias de abrigo, acúmulo de resíduos, água parada e cobertura limitada dos serviços de gestão desses espaços.

Uma avaliação do Grupo de Abrigo na Palestina, liderado pelo Conselho Norueguês para os Refugiados e coordenado com a Organização Internacional para as Migrações, aponta que cerca de 1,98 milhões de pessoas, equivalentes a 94% da população de Gaza, precisam de ajuda relacionada a alojamento e bens essenciais. O mesmo levantamento indica que 84% das famílias enfrentam restrições severas nas condições de vida, conforme dados publicados pelo Gabinete das Nações Unidas para a Coordenação dos Assuntos Humanitários em agosto de 2026.

Animais dentro das tendas

Saber Abu Al-Ajine, deslocado a leste de Deir al-Balah, verifica cobertores e esteiras todas as noites antes de a família dormir. Ele relata a presença de ratos, insetos, escorpiões e, às vezes, cobras dentro da tenda. Segundo Abu al-Ajin, a família tentou usar pesticidas e sprays, mas o resultado foi limitado.

“Já quase nos habituámos a eles”, afirmou, ao descrever o aparecimento ocasional de ratos, cobras e escorpiões. Ele também passou a desconfiar de que animais tenham entrado em alimentos deixados à vista, o que, segundo seu relato, tornou a rotina familiar mais difícil.

Hassan Al-Samiri, que fugiu de Jahr Al-Deek para a área leste de Deir al-Balah, diz que vê cobras perto da tenda quase todas as semanas. Ele afirma que há muitos escorpiões e aranhas e que mata alguns deles diariamente. Hassan não sabe identificar as espécies nem avaliar o grau de perigo dos animais.

Um relatório do Gabinete das Nações Unidas para a Coordenação dos Assuntos Humanitários, publicado a 3 de julho de 2026, registrou roedores e parasitas externos em 83% dos locais de acolhimento avaliados. O documento também citou águas residuais nas ruas, acúmulo de lixo e água parada. A cobertura dos serviços de gestão desses locais não passava de 34%.

Uma avaliação anterior, divulgada pela mesma organização a 17 de abril, identificou roedores ou pragas em 1.326 dos 1.644 locais analisados, que abrigavam cerca de 1,45 milhões de pessoas. Desde o início de 2026, foram notificados mais de 70 mil casos relacionados a roedores e parasitas externos.

Risco de intoxicação e atendimento médico

A Organização Mundial da Saúde alerta que as condições dos abrigos temporários, a mobilidade constante, a superlotação e a necessidade de permanecer ou se reunir ao ar livre aumentam o risco de contato com cobras. A entidade afirma que o veneno de algumas espécies pode causar paralisia respiratória, sangramentos graves e danos aos rins ou aos tecidos. Em crianças, os efeitos podem aparecer mais rapidamente por causa da menor massa corporal.

A orientação da organização é não tentar capturar a cobra depois de uma picada nem se aproximar dela. A recomendação é buscar atendimento médico o mais rápido possível. A OMS considera os antídotos o tratamento mais eficaz para prevenir ou reverter a maior parte dos efeitos da intoxicação e pediu que esses produtos sejam incluídos na ajuda internacional e nos kits de atenção básica destinados à Faixa de Gaza.

Maher Abu Amra, integrante de uma unidade médica a leste de Deir al-Balah, relata que a equipe recebe pacientes cuja lesão não pode ser identificada com precisão. Em um dos casos, uma criança chegou com ferida, pus e secreção, mas não foi possível determinar se a causa havia sido uma cobra, um escorpião ou um inseto.

Quando o atendimento supera a capacidade da unidade, os pacientes são encaminhados a instalações do Ministério da Saúde. Abu Amra também relata casos em que familiares levaram à unidade o animal que teria causado a lesão. A OMS, porém, recomenda que cobras não sejam capturadas nem abordadas.

A unidade também recebe crianças com insetos que entraram nos ouvidos durante o sono. Os atendimentos ocorrem em um sistema de saúde com capacidade limitada. Em meados de julho de 2026, apenas 44% dos pontos de prestação de serviços de saúde registrados antes de outubro de 2023 estavam funcionando em Gaza. Entre 19 e 25 de julho, infecções por parasitas externos representaram 18,9% das doenças transmissíveis notificadas, segundo a OMS.

Medidas de controle e condições ambientais

Ao longo de 2026, organizações humanitárias ampliaram ações de controle de pragas, com pulverização, combate a roedores, limpeza e campanhas de orientação. Um relatório do OCHA publicado a 31 de julho informou que parceiros começaram a distribuir nove toneladas de raticidas introduzidos na Faixa pelos Emirados Árabes Unidos, além dos estoques já disponíveis.

A 20 de agosto, a ONU informou que as ações conduzidas pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento e parceiros desde maio haviam alcançado mais de 3.000 locais, incluindo centros de acolhimento, mercados e hospitais.

A organização afirma que a resposta depende do fornecimento contínuo de produtos para controle de pragas, equipamentos e peças de reposição, além de melhorias na gestão de resíduos, águas residuais e remoção de escombros.

Em levantamento realizado no início de julho, 43% das famílias consultadas disseram haver águas residuais ou lama a até dez metros de suas moradias. Outros 26% relataram montes de resíduos sólidos nas proximidades. O relatório do OCHA publicado a 23 de julho registrou a remoção de cerca de 630 mil toneladas de escombros de estradas e infraestruturas de serviços básicos. A estimativa do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento é de mais de 60 milhões de toneladas deixadas pela guerra.

Sem portas que fechem adequadamente e sem um piso que separe as famílias do solo, os moradores continuam expostos aos animais e parasitas dentro e ao redor das tendas. Saber resume a rotina dizendo que cobras, escorpiões, ratos e insetos estão por toda parte e que os deslocados se perguntam o que podem fazer.

Texto produzido pela Redação Fato Aberto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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