As buscas por desaparecidos após as enchentes no Nepal chegaram ao 12° dia consecutivo neste domingo (6), enquanto a ONU voltou a pedir ajuda internacional para a população afetada. Dados oficiais apontam pelo menos 1.384 mortes — 1.341 no Nepal e 43 no território chinês do Tibete — e mais de 5.500 desaparecidos — 4.996 no Nepal e 519 no Tibete.
Lila Pieters Yahia, coordenadora da ONU no país, afirmou que a onda de água gelada, lama e pedras destruiu vales na fronteira entre Nepal e China. “Você perde o teto sobre a sua cabeça, perde o seu sustento, perde seus entes queridos, perde o provedor da família, e tudo isso em um ou dois minutos”, disse.
Nos dois dias anteriores, quatro pessoas foram resgatadas com vida. Na sexta-feira (4), dois trabalhadores nepaleses foram encontrados em túneis soterrados de usinas hidrelétricas. No sábado (5), um cidadão chinês foi salvo no mesmo local, e uma mulher de 64 anos foi retirada de sua casa destruída.
Isolamento e riscos sanitários
Mais de 80 mil pessoas foram afetadas pelas inundações, segundo as Nações Unidas. Moradores próximos ao epicentro continuam isolados, com acesso limitado a autoridades, organizações não governamentais e agências da ONU. A destruição de estradas e pontes fez com que deslocamentos de duas horas passassem a levar um dia inteiro.
A coordenadora também alertou para a falta de alimentos, água e abrigo, além da piora das condições sanitárias nos abrigos emergenciais e dos riscos à segurança das mulheres. Pelo menos 5 mil cabeças de gado e 20 mil aves morreram, de acordo com dados do governo.
“Não podemos descartar o risco de cólera; o saneamento e a higiene devem ser melhorados”, afirmou Pieters Yahia. Ela pediu apoio da comunidade internacional ao Nepal, país com 30 milhões de habitantes, e declarou que as vítimas não podem ser abandonadas.
Na sexta-feira, agências das Nações Unidas lançaram um apelo emergencial para arrecadar quase 50 milhões de dólares destinados às necessidades básicas das pessoas afetadas.






