São José dos Campos, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Brasil

MP-SP analisa possíveis conexões entre Banco Master e privatizações da Sabesp e EMAE

Representação cita estruturas financeiras, participação societária e possível favorecimento da Equatorial Energia nas operações em São Paulo.

Entenda a ligação apontada entre Banco Master, Equatorial e privatização da Sabesp

O Ministério Público de São Paulo analisa uma representação que aponta possíveis conexões entre o Banco Master, a Equatorial Energia e as privatizações da Sabesp e da EMAE. O documento questiona a estrutura financeira usada nas operações de desestatização conduzidas pelo governo paulista entre 2024 e 2025.

A Promotoria de Justiça do Patrimônio Público verifica se o material tem relação com procedimentos já em andamento sobre patrimônio público e possíveis conexões com o Banco Master. O pedido inclui a abertura de inquérito civil e prevê o encaminhamento às autoridades federais caso apareçam indícios de competência da União. O procedimento não tem caráter criminal.

Venda da Sabesp

A representação sustenta que a operação da Sabesp pode ter favorecido a Equatorial Energia, que foi a única interessada no processo. A venda do controle ocorreu em julho de 2024, quando o governo paulista deixou de ser acionista majoritário da companhia.

Na ocasião, o mercado avaliava a Sabesp em mais de R$ 56 bilhões, enquanto as ações eram negociadas em torno de R$ 82,00. O bloco de controle, equivalente a 15% das ações, foi vendido por R$ 67,00 por papel, em uma operação de cerca de R$ 6,9 bilhões.

Análises atribuídas ao Observatório Nacional das Águas, à Agência Reguladora dos Serviços Públicos do Estado e a entidades ligadas aos profissionais da Sabesp apontaram desconto de até 44% em relação ao valor de mercado. Meses depois, os papéis passaram a ser negociados acima de R$ 150,00.

A representação também menciona a atuação do BTG Pactual na coordenação da oferta pública de parte das ações. Segundo o documento, os pedidos de compra superaram R$ 200 bilhões, em uma oferta de tamanho significativamente menor, e bancos tradicionais não teriam participado de decisões estratégicas.

Operação da EMAE

Outro ponto analisado é a venda da EMAE. O leilão ocorreu em abril de 2024, e o Fundo Phoenix venceu a disputa com uma proposta de aproximadamente R$ 1,04 bilhão. A representação destaca que o fundo foi criado pouco menos de um mês antes do certame.

A estrutura de emissão privada de debêntures da Phoenix S.A. teria viabilizado a aquisição em um montante estimado em cerca de R$ 520 milhões. O documento afirma que fundos e gestoras atuaram de forma conectada e cita o Banco Master na intermediação de recursos e na organização de estruturas societárias.

A representação também menciona investigações da Comissão de Valores Mobiliários sobre a valorização de ações da Ambipar, associada a recompra de papéis e concentração acionária. Esses ativos teriam sido usados como lastro em operações financeiras posteriores.

Pessoas e empresas citadas

Carlos Piani é citado por ter ocupado posições em empresas como Ambipar, Equatorial e posteriormente na Sabesp. Fabiano Zettel também aparece no documento como ligado ao Grupo Master e envolvido em parcerias relacionadas à aquisição de ativos.

O Ministério Público informou que ainda verifica se existe relação entre as conexões descritas e outros procedimentos. A análise poderá definir os próximos encaminhamentos do caso.

Em nota, a Equatorial Energia afirmou que participou de um processo de desestatização conduzido com transparência, legalidade e apoio de assessores especializados.

Texto produzido pela Redação Fato Aberto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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