São José dos Campos, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Brasil

MP-SP apura possível ligação entre Banco Master e privatizações em São Paulo

Promotoria pediu informações ao governo paulista, à Sabesp, à Emae e ao TCE antes de decidir sobre um inquérito civil.

MP-SP investiga elo do escândalo do Master com privatização da Sabesp e Emae por Tarcísio de Freitas
Foto: Caiuá Maia Campanha Tarcísio/Divulgação

O Ministério Público de São Paulo abriu uma notícia de fato para apurar se houve ligação entre operações relacionadas ao Banco Master e as privatizações da Empresa Metropolitana de Águas e Energia (Emae) e da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp). A análise preliminar foi iniciada a partir de uma denúncia do deputado Antônio Donato (PT-SP), líder do PT na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp).

A promotora Cíntia Marangoni solicitou informações à Sabesp, à Emae, ao Tribunal de Contas do Estado e ao governo de Tarcísio Gomes de Freitas (Republicanos). Os órgãos têm 45 dias para responder. Depois desse prazo, o Ministério Público decidirá se existem elementos para abrir um inquérito civil.

O procedimento verifica a possível ocorrência de improbidade administrativa, prejuízo ao patrimônio público estadual, violação de princípios da administração, restrição à concorrência, conflito de interesses e favorecimento de particulares. Também será analisada a aquisição do controle da Emae pela Sabesp após os processos de privatização.

Operações sob análise

A Emae foi leiloada na Bovespa em 19 de abril de 2024. O Fundo Phoenix venceu a disputa pelas ações do Estado por aproximadamente R$ 1,04 bilhão, à frente da EDF. Segundo a denúncia apresentada ao Ministério Público, o fundo havia sido criado em 20/03/2024, menos de um mês antes do leilão, e tinha ações da AMBIPAR como principal lastro.

Donato afirma que o Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro, participou da estruturação e do financiamento de grupos interessados na privatização da Emae e da Sabesp. A representação também cita Nelson Tanure, Carlos Piani, Tércio Borlenghi Junior, a REAG, a Trustee DTVM e o pastor Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro.

Conforme o documento, a aquisição do controle da Emae foi financiada pelo Banco Master por meio da Trustee e de uma emissão privada de debêntures da Phoenix S.A. O deputado também relaciona a operação à eleição de Karla Maciel Dolabella, ex-responsável pela área de fusões e aquisições do Banco Master, para a presidência da Emae.

A denúncia sustenta ainda que, após a desestatização da Sabesp, Carlos Piani assumiu a presidência da companhia em outubro de 2024. Ele havia presidido o conselho da Ambipar. A representação afirma que a Sabesp, já controlada pela Equatorial, comprou a Emae da XP Investimentos depois que a instituição assumiu o controle da empresa em razão de uma dívida de Nelson Tanure.

Resposta da Sabesp

A companhia informou que o procedimento do Ministério Público é preliminar e decorre de uma representação parlamentar. Disse que prestará os esclarecimentos solicitados com transparência.

A Sabesp afirmou que a desestatização foi documentada, autorizada pelo Legislativo estadual e submetida a consultas, audiências públicas e instâncias regulatórias. Segundo a empresa, a oferta pública foi registrada na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), com documentação apresentada à SEC, nos Estados Unidos.

A companhia também declarou que as operações posteriores, incluindo a compra da Emae, foram aprovadas pelos órgãos competentes. Negou fundamento para associá-la ou associar seus administradores aos fatos investigados sobre o Banco Master e afirmou que fornecerá as informações necessárias às autoridades.

Texto produzido pela Redação Fato Aberto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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