RIO DE JANEIRO — O documentário Usina Cambayba será exibido na sede do Ministério Público Federal (MPF), no Rio de Janeiro, em 15 de setembro de 2026, às 10h. A sessão será seguida de um debate sobre os relatos de ocultação e incineração de corpos de desaparecidos políticos durante a ditadura brasileira.
A mesa será mediada pelo procurador da República Julio Araújo e terá a participação do documentarista Marcelo Fonseca, da juíza federal Maria Isadora Frizão e do historiador Lucas Pedretti. Autoridades e representantes de coletivos ligados à memória, verdade, justiça, reparação e democracia também participarão da atividade.
Investigação sobre a Usina Cambayba
O filme reúne documentos públicos, pesquisas acadêmicas, registros da Comissão Nacional da Verdade e investigações do MPF para reconstruir episódios relacionados à repressão política no estado do Rio de Janeiro.
Entre os relatos abordados estão os do ex-agente do Departamento de Ordem Política e Social, Cláudio Guerra. Ele afirmou ter participado do transporte e da incineração de corpos de opositores políticos na Usina Cambayba, em Campos dos Goytacazes (RJ). Conforme esses relatos, 12 desaparecidos políticos teriam sido levados ao local e incinerados em uma operação para ocultar os cadáveres e eliminar vestígios.
As declarações foram investigadas pelo MPF. O procedimento levou a uma denúncia contra Guerra e, em 2023, à condenação dele, em primeira instância, a sete anos de prisão por ocultação de cadáveres. A sentença recebeu uma premiação em concurso nacional do Conselho Nacional de Justiça. Posteriormente, o Tribunal Regional Federal da 2a região reformou a decisão, com o argumento de que teria ocorrido prescrição.
O caso integra a discussão sobre a responsabilização criminal por graves violações de direitos humanos cometidas durante a ditadura e sobre o tratamento dado pela Justiça brasileira aos crimes atribuídos a agentes do Estado naquele período.
O documentário também relaciona a Usina Cambayba a outros locais associados à repressão no estado, como a Casa da Morte, em Petrópolis, e o Destacamento de Operações de Informação – Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-CODI), na Tijuca, no Rio de Janeiro. A produção aborda as estruturas ligadas à perseguição, à tortura, ao assassinato e à ocultação de opositores políticos.







