São José dos Campos, Sexta-feira, 9 de outubro de 2026
Brasil

Novo filme de Aaron Sorkin revisita crise da Meta após denúncias de Frances Haugen

“O outro lado das redes” dramatiza o vazamento de documentos internos da Meta e estreia no Brasil durante a Mostra de Cinema em São Paulo.

Novo filme de Aaron Sorkin revisita crise da Meta após denúncias de Frances Haugen

“O outro lado das redes”, dirigido por Aaron Sorkin, acompanha a crise da Meta a partir do vazamento de documentos internos feito pela ex-funcionária Frances Haugen. O filme estreia nos cinemas americanos na sexta-feira (9) e chega ao Brasil na 50ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, entre 15 e 29 de outubro.

A produção é protagonizada por Jeremy Strong, Mikey Madison e Jeremy Allen White. Strong interpreta Mark Zuckerberg; Madison vive Haugen; e White faz o papel de Jeff Horwitz, jornalista que recebeu os documentos compartilhados pela ex-funcionária.

As denúncias contra a Meta

Em 2020, Horwitz procurou integrantes do Civic Integrity Team, grupo do Facebook voltado à desinformação eleitoral e ao discurso de ódio durante as eleições dos Estados Unidos. Pessoas que faziam parte da equipe já haviam afirmado que a rede social priorizava a retenção da atenção dos usuários por meio de conteúdos desinformativos e polarizantes, mesmo com possíveis efeitos sobre a saúde mental.

Depois que o time foi desfeito, Haugen entrou em contato com Horwitz. Transferida para uma divisão que acompanhava o uso da plataforma por políticos, ela passou a compartilhar documentos sigilosos da empresa.

Os arquivos indicavam que a Meta deixava de remover publicações de figuras públicas mesmo quando violavam regras da plataforma. Também apontavam riscos potenciais dos produtos para adolescentes, aumento do engajamento com conteúdos de “rage bait” — publicações que atraem usuários pelo ódio — e falhas na moderação de textos em outros idiomas.

Quando os documentos foram divulgados, em 2021, o Facebook afirmou que Horwitz havia selecionado apenas os materiais que sustentavam suas conclusões. Zuckerberg classificou as reportagens e as declarações de Haugen como “um esforço coordenado para selecionar documentos vazados a fim de piorar a imagem da empresa”. As revelações deram início a uma crise reputacional para a Meta.

Da ascensão à crise

Sorkin foi roteirista de “A rede social”, filme de 2010 sobre a criação do Facebook. A nova produção desloca o foco para o período em que a empresa enfrentou as denúncias de Haugen e Horwitz, enquanto os Estados Unidos se aproximavam da invasão ao Capitólio.

Para checar os fatos apresentados no longa, a Sony contratou um escritório de advocacia. Diálogos e cenas que não podiam ser comprovados foram retirados. Jesse Eisenberg, que interpretou Zuckerberg no filme anterior, recusou o convite para voltar ao papel por discordar das posições do executivo e não querer continuar associado à atuação.

Sorkin afirmou que seu Zuckerberg não é um vilão, mas um anti-herói. O diretor também disse que o filme termina com um tom otimista, embora reconheça que ainda há problemas. Para ele, a Meta pode se redimir se for legalmente obrigada a mudar.

A recepção ao longa foi variada. Roberto Honorato escreveu que a produção não alcança o filme dirigido por David Fincher. Para ele, a narrativa transforma a trajetória de Haugen e Horwitz em uma história de superação e simplifica um conflito mais complexo. Já Bilge Ebiri avaliou que o filme mostra como a crueldade e a negligência impulsionadas pelas redes sociais remodelaram a sociedade.

Filmes sobre empresários de tecnologia

“A rede social” foi lançado antes dos escândalos que expuseram problemas do Facebook. A produção arrecadou US$ 224,9 milhões e recebeu 3 estatuetas do Oscar.

Depois dela, chegaram obras como a série “Silicon Valley”, de 2014, e o filme “Steve Jobs”, de 2015. Para a crítica de cinema Alissa Wilkinson, o escândalo Cambridge Analytica mudou a forma como empresários de tecnologia passaram a ser representados na ficção.

A empresa de análise de dados coletou informações de milhões de usuários do Facebook sem permissão e as utilizou para direcionar votos a Donald Trump em 2016. Depois do caso, produções como “The Dropout”, de 2022, sobre Elizabeth Holmes, e “Artificial”, de 2026, sobre Sam Altman, passaram a retratar esses executivos de forma mais crítica.

Wilkinson afirmou que os fundadores de empresas de tecnologia mudaram o mundo, mas que os filmes sobre eles costumam expressar a insatisfação com o mundo que construíram. Ela também avaliou que esse tipo de produção pode se tornar mais difícil à medida que estúdios sejam comprados pelas empresas criticadas.

“Artificial” seria produzido inicialmente pela Amazon, que abandonou o projeto e depois anunciou um contrato com a OpenAI. O longa foi produzido pela Neon e será lançado no início de 2027.

Texto produzido pela Redação Fato Aberto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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