Uma família de cães-selvagens-africanos percorreu 4.126 quilômetros pela Zâmbia durante uma dispersão em busca de oportunidades de reprodução. O deslocamento estabeleceu a maior distância já percorrida por mamíferos africanos, conforme pesquisadores que acompanharam os animais por radiomonitoramento.
A viagem começou em meados de julho de 2025, quando duas irmãs deixaram a alcateia. Duas semanas depois, três irmãos também partiram. Na espécie, em geral, apenas um macho e uma fêmea dominantes se reproduzem. Os demais integrantes podem permanecer subordinados ao casal ou sair do grupo para procurar parceiros e reduzir a competição por recursos e o risco de acasalamento entre parentes próximos.
O ponto de partida foi o Parque Nacional de Kafue, que tem mais de 22.000 quilômetros quadrados, grande variedade de presas e oferta de alimento e abrigo. Ainda assim, os animais seguiram para outras áreas. Pesquisadores colocaram coleiras de radiomonitoramento em um integrante de cada grupo para acompanhar o trajeto. O caso foi descrito em um artigo publicado no periódico Ecology.
Riscos durante o deslocamento
As fêmeas permaneceram por várias semanas em uma área próxima ao parque, com menos proteção e menos presas. Os machos avançaram para o leste, em direção a uma região desprotegida da Zâmbia. Em setembro daquele ano, os grupos se reencontraram brevemente, a mil quilômetros do local de origem. Depois de um dia juntos, seguiram separadamente para o sul: os machos evitaram as principais rodovias, enquanto as fêmeas atravessaram uma área arborizada.
Em outubro, uma fêmea sem coleira provavelmente foi capturada em uma armadilha usada para a caça de animais silvestres. Depois, a fêmea monitorada teve o mesmo destino. A coleira foi cortada, e os pesquisadores perderam o contato com as irmãs.
Os machos tiveram outro desfecho. O grupo se estabeleceu em um novo território no topo do Grande Vale do Rift, a cerca de 419 quilômetros da área de origem. Durante a jornada, os animais também ficaram expostos a leões, hienas e crocodilos, que podem ameaçar os cães ou tomar suas presas.
Para os pesquisadores, o deslocamento mostra que cães-selvagens-africanos podem recolonizar regiões onde já haviam desaparecido. O caso também indica que não é ideal que esses animais precisem percorrer distâncias tão extensas para encontrar parceiros.







