Chimpanzés e bonobos podem continuar levando consigo os corpos de filhotes mortos por períodos que vão de 30 minutos a 126 dias. Em alguns casos, as mães mantiveram o transporte mesmo depois de os corpos estarem mumificados, segundo uma pesquisa da Universidade de Oxford publicada na revista científica Biology Letters.
O estudo avaliou 83 episódios registrados em 15 locais. A duração do comportamento variou entre os casos, e os pesquisadores identificaram fatores associados a essa diferença. Filhotes que morreram mais velhos foram carregados por mais tempo do que os mais novos, o que relaciona o comportamento à formação de vínculos entre mãe e cria.
A causa da morte
A causa da morte também apareceu como um dos fatores mais consistentes. Mães carregaram por mais tempo os filhotes que morreram de doenças do que aqueles mortos por infanticídio, praticado por outros macacos.
Para os pesquisadores, a diferença pode estar ligada à forma como a mãe reage a cada situação. O infanticídio seria uma experiência traumática e possivelmente interpretada como um encerramento definitivo. Já a doença poderia produzir uma situação mais ambígua, levando a mãe a considerar que o estado do filhote ainda pode ser revertido.
Essa interpretação levanta a possibilidade de que chimpanzés reconheçam e compreendam a morte. A hipótese, porém, não foi comprovada. Thomas A. Püschel, um dos autores, afirmou que os resultados não exigem assumir que chimpanzés e bonobos entendam a morte como irreversível para explicar a duração do transporte.
“Os padrões podem ser explicados pela persistência do comportamento materno e por fatores sociais, de história de vida e ambientais”, explicou Püschel em comunicado.
A pesquisa também encontrou associação com condições externas. Períodos mais frios e locais em que havia maior intervalo entre os nascimentos apresentaram tempos mais longos de transporte dos filhotes.
Os autores consideram que a persistência do cuidado materno, além de fatores sociais, ligados à história de vida e ambientais, pode explicar os resultados sem confirmar que esses animais tenham uma compreensão da morte como irreversível. Ao mesmo tempo, os dados não indicam que chimpanzés e bonobos sejam incapazes de reconhecer a morte.







