Os testes genéticos ampliaram as possibilidades de prevenção e tratamento personalizado do câncer de mama e de ovário. Ao mapear o DNA, esses exames podem identificar mutações hereditárias associadas às doenças e orientar decisões clínicas — desde o acompanhamento até estratégias de redução de risco.
Um estudo brasileiro publicado em 2026 na revista Scientific Reports analisou 5 mil pessoas submetidas ao sequenciamento de nova geração, conhecido como NGS, para um painel de 25 genes relacionados aos dois tipos de câncer. O grupo reunia pessoas diagnosticadas e indivíduos sem sintomas, mas com histórico familiar relevante.
Alterações genéticas consideradas significativas foram encontradas em 12,7% dos participantes. O resultado não representa a prevalência dessas alterações na população geral, porque a amostra era formada por pessoas encaminhadas previamente para investigação. Ainda assim, o levantamento reforça a importância da avaliação molecular no Brasil e mostra como a identificação de variantes pode influenciar a prática clínica.
Indicação depende do histórico individual
O teste genético não deve ser usado como exame de rotina ou check-up populacional para qualquer pessoa. A indicação precisa considerar, entre outros fatores, a idade ao diagnóstico, os tipos de tumor e o histórico familiar.
Quando há resultado positivo, a informação não significa necessariamente que a pessoa desenvolverá câncer. A identificação de uma predisposição hereditária pode levar à antecipação do rastreamento, à intensificação dos exames de imagem e à discussão de medidas para reduzir riscos. Para quem já recebeu o diagnóstico, o resultado também pode ajudar na definição do tratamento.
A investigação pode beneficiar outros integrantes da família. A identificação de uma variante patogênica em uma mulher com câncer permite que irmãs, filhas e outros familiares sejam avaliados e adotem medidas preventivas antes do surgimento de um tumor.
O benefício do exame depende da capacidade de transformar o resultado em um plano de cuidado adequado. Por isso, a orientação especializada e o critério médico permanecem necessários para evitar tanto a ansiedade sem fundamento quanto o uso indiscriminado da tecnologia.








