São José dos Campos, Sexta-feira, 2 de outubro de 2026
Economia

Aumento do Bolsa Família será pago antes do segundo turno e pode chegar ao TSE

Especialistas apontam possível abuso de poder econômico, enquanto o governo afirma que o reajuste já era estudado.

Aumento do Bolsa Família será pago antes do segundo turno e pode chegar ao TSE

Uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) pode influenciar a análise do reajuste do Bolsa Família anunciado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição. Em agosto de 2024, a Corte considerou inconstitucional a ampliação de benefícios sociais feita em 2022, no fim do governo de Jair Bolsonaro, quando ele também tentava permanecer no cargo.

O decreto anunciado por Lula prevê aumento de cerca de 15% no programa. O benefício mínimo passará de R$ 600 para R$ 691, enquanto o valor médio subirá de R$ 675 para R$ 777. Os pagamentos com os novos valores começam na folha de outubro, a partir do dia 19. Assim, a medida entrará em vigor entre o primeiro e o segundo turno, caso a eleição presidencial não seja decidida em turno único.

A possibilidade de questionamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) é levantada por especialistas em direito eleitoral. Eles avaliam que a concessão do reajuste, anunciada a 17 dias do primeiro turno, pode caracterizar abuso de poder econômico. Em caso de reeleição, uma das consequências previstas nessa interpretação seria a cassação do mandato de Lula.

O candidato do Missão à Presidência, Renan Santos, afirmou que apresentará uma ação no TSE para tentar barrar o decreto. Flávio Bolsonaro, candidato do PL e principal adversário de Lula, criticou a medida, mas sua campanha decidiu não recorrer à Justiça contra o petista.

A disputa ocorre em um cenário eleitoral acirrado. Levantamento da Quaest divulgado na última segunda-feira mostrou Flávio com vantagem numérica sobre Lula no segundo turno, por 42% a 40%. No primeiro turno, Lula tinha 36%, e Flávio passou de 29% para 31%.

O governo nega que o decreto seja irregular. A equipe econômica afirma que o reajuste já vinha sendo estudado e só foi anunciado agora porque a redução da fila de pedidos de benefício no INSS abriu espaço fiscal.

Rubens Beçak, professor da faculdade de Direito da USP e doutor em Direito Constitucional pela instituição, classificou a iniciativa como eleitoreira. “As assessorias jurídicas dos partidos, das bancadas parlamentares estão muito ativas, então deve vir uma enxurrada de ações”, declarou.

O advogado eleitoral Cristiano Vilela, integrante do Instituto dos Advogados de São Paulo (IASP) e da Academia Brasileira de Direito Eleitoral e Político (ABRADEP), comparou o caso ao aumento do Auxílio Brasil durante o governo Bolsonaro. O reajuste daquele programa foi viabilizado pela chamada PEC dos Benefícios, promulgada a três meses da eleição de 2022, que elevou o valor de R$ 400 para R$ 600.

Para Vilela, o anúncio atual pode ser considerado ilegal por ocorrer perto da eleição e representar um benefício significativo para uma parcela expressiva da população, ainda que apresentado como recomposição financeira.

Texto produzido pela Redação Fato Aberto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Receba nossa newsletterUma seleção diária, direto na sua caixa de entrada.

As mais lidas

  1. 1
  2. 2
  3. 3
  4. 4
  5. 5