Os bancos preferem manter o cronograma original do Desenrola 3.0 e deixar a venda de carteiras de dívidas para depois do 2º turno das eleições presidenciais. O governo de Luiz Inácio Lula da Silva avalia antecipar o leilão de compra dos débitos, mas a possibilidade provoca desconforto no setor.
A medida provisória enviada ao Congresso Nacional autoriza gasto de até R$ 15 bilhões para a aquisição de dívidas inadimplentes, com descontos de no mínimo 90%. A proposta prevê a compra de conjuntos de débitos em atraso entre 2 anos e 4,5 anos, para que o governo cobre os devedores posteriormente em condições mais favoráveis.
As dívidas elegíveis são de cartão de crédito rotativo e parcelado, além de crédito pessoal sem consignação em folha. O saldo é estimado pelo governo em R$ 300 bilhões, mas a expectativa é alcançar 50% das dívidas que se enquadram nos critérios.
Cronograma previsto
Pelo calendário inicial, o chamamento para a entrega de propostas ocorreria em novembro. Os bancos apresentariam as ofertas em dezembro, e as selecionadas seriam homologadas em janeiro. A compra das carteiras com desconto e o repasse posterior do deságio aos devedores aconteceriam em fevereiro.
A compra de carteiras é considerada uma operação comum no setor bancário e não exigiria grandes esforços das instituições privadas. O governo, porém, ainda precisa definir questões operacionais e de governança antes de publicar o edital do leilão.
A participação dos bancos em um eventual leilão antecipado ficaria a critério de cada instituição. Mesmo assim, a proximidade da definição eleitoral gera receio de questionamentos judiciais sobre a participação no programa.
O Desenrola foi lançado na véspera do primeiro turno e tinha previsão de realizar a primeira rodada em novembro. A possibilidade de antecipação ganhou força após a vantagem de Flávio Bolsonaro (PL) nas urnas no último domingo, embora haja resistências dentro do governo sobre a viabilidade operacional da mudança.
A campanha de Flávio Bolsonaro voltou a defender uma proposta semelhante nesta quarta-feira, em entrevista coletiva. Nessa versão, a Caixa Econômica Federal provavelmente compraria dívidas de outras instituições.








