São José dos Campos, Quinta-feira, 8 de outubro de 2026
Economia

Campanha de Flávio Bolsonaro diverge sobre alcance de plano fiscal

Promessas de preservar benefícios e cortar impostos entram em conflito com um ajuste de até 2% do PIB estudado pela equipe econômica.

Campanha de Flávio Bolsonaro diverge sobre alcance de plano fiscal

A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) mantém divergências sobre o tamanho e a velocidade de um eventual ajuste fiscal caso o candidato vença o segundo turno. Parte da equipe defende um processo gradual; outra ala considera a possibilidade de um programa mais abrangente, inspirado no início do governo do presidente da Argentina, Javier Milei.

A equipe econômica estuda um pacote voltado à contenção das despesas obrigatórias da União. A proposta poderia produzir um ajuste inicial de 2% do PIB (Produto Interno Bruto), equivalente a cerca de R$ 250 bilhões. Em outra frente, representantes da campanha apresentaram a integrantes do mercado financeiro a promessa de um ajuste de, no mínimo, 1,5% do PIB.

Promessas feitas durante a campanha

Flávio afirmou que não fará o ajuste sobre aposentados ou pessoas de baixa renda. Em entrevista ao SBT News, também disse que não pretende eliminar os pisos constitucionais de saúde e educação, desvincular essas despesas ou alterar a vinculação do salário mínimo.

Nesta quinta-feira (8), o candidato declarou que, se eleito, reajustará as aposentadorias do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) acima da inflação. “Eu não vou fazer economia em cima de quem precisa, das pessoas mais carentes desse Brasil”, afirmou.

Ao mesmo tempo, Flávio sinalizou um “tesouraço” nos impostos, a desoneração da folha de pagamentos e a interrupção da reforma tributária para ajustes de rota. Essas medidas reduziriam receitas do governo, enquanto o plano fiscal anunciado prevê contenção de despesas.

A campanha também fala em cortar cargos e ministérios, vender imóveis da União e combater fraudes em benefícios. Representantes da equipe citam ainda a redução dos chamados gastos tributários. Essas medidas, porém, são consideradas insuficientes por integrantes da própria campanha para alcançar um ajuste de 1,5% do PIB. Um programa desse tamanho, superior a R$ 200 bilhões considerando projeções para o PIB deste ano, exigiria decisões sobre despesas sociais e previdenciárias.

Disputa sobre a estratégia

Um grupo da campanha aposta que a melhora das expectativas dos agentes econômicos reduziria os juros pagos pelo governo e desaceleraria a alta da dívida. Essa ala defende começar por medidas apresentadas como moralizantes, como o corte de cargos e ministérios e o fim de supersalários, antes de avançar para outras mudanças.

Outro grupo tenta se afastar da promessa de 1,5% do PIB por considerar que esse número criaria uma cobrança futura sobre um eventual governo. Há ainda integrantes que avaliam que um ajuste mais intenso poderia provocar impopularidade para o presidente eleito.

Um assessor de Flávio, sob condição de anonimato, afirmou que o tamanho do ajuste dependerá do resultado do segundo turno e da chamada “agenda STF”, relacionada às negociações para eventual impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal. Segundo ele, a prioridade da campanha é vencer a eleição e não divulgar os detalhes antes do resultado. Não haveria plano a ser anunciado antes do dia 25 de outubro.

A campanha declarou que a consolidação fiscal será feita pelo lado das despesas, com o fim de privilégios e penduricalhos, a racionalização de gastos ineficientes e a redução de impostos. A coordenação também criticou o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), afirmando que, desde 2023, a administração aumenta impostos, amplia gastos e permite o crescimento da dívida pública.

Avaliações de especialistas

Para Bruno Carazza, professor de economia da FDC (Fundação Dom Cabral), as contradições do programa reduzem o espaço para a execução do ajuste. Na avaliação dele, o Orçamento já está comprometido com despesas obrigatórias, e o cumprimento da meta exigiria escolhas difíceis e impopulares.

“O mercado está empolgado com a perspectiva de vitória do Flávio Bolsonaro, mas o programa dele é extremamente genérico e tem uma série de contradições”, disse Carazza.

Gesner Oliveira, ex-presidente do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) e responsável pelas primeiras diretrizes do plano, afirmou que é difícil detalhar medidas durante a campanha. Para ele, mesmo sem especificações, o mercado percebe um compromisso com a contenção do crescimento da relação entre dívida e PIB.

Texto produzido pela Redação Fato Aberto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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