O mercado financeiro reagiu positivamente ao avanço de Flávio Bolsonaro (PL) para o segundo turno contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Na segunda-feira (6), o Ibovespa subiu quase 8%, movimento associado à expectativa de que uma eventual vitória do senador favoreça reformas econômicas e um ajuste nas contas públicas.
A avaliação de especialistas, porém, é que o resultado eleitoral não garantiria apoio automático às medidas defendidas pelo mercado. Durante painel no Incorpora Abrainc 2026, os participantes afirmaram que mesmo uma eventual maioria favorável no Congresso exigiria articulação política para transformar a possibilidade de reformas em medidas concretas.
Fábio Zambelli, diretor da Athos Public Affairs, do Grupo InPress, disse que um eventual governo Flávio Bolsonaro poderia iniciar o mandato com uma das maiores bases parlamentares das últimas décadas. Essa coalizão, no entanto, reuniria partidos e congressistas com interesses diferentes, o que poderia dificultar a coordenação necessária para aprovar uma agenda econômica.
De acordo com Zambelli, a governabilidade dependeria do tamanho da base e da capacidade de negociação do Executivo com as lideranças da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. Ele também apontou que parlamentares eleitos com pautas mais à direita podem chegar ao Congresso com prioridades distintas das reformas econômicas.
Outro ponto de dificuldade seria a discussão sobre emendas parlamentares. Para implementar um ajuste fiscal consistente, um eventual governo teria de negociar limites para esses recursos ao mesmo tempo em que buscaria o apoio dos congressistas para aprovar mudanças.
O cientista político Antonio Lavareda afirmou que uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro não deveria ser vista como uma autorização popular para um amplo programa de ajuste fiscal. Na avaliação dele, o resultado refletiria mais o desgaste do governo Lula do que a adesão dos eleitores às reformas defendidas pelo mercado.
Lavareda também questionou se a família Bolsonaro teria disposição política para apoiar medidas com potencial de desgaste no curto prazo. Essas decisões poderiam afetar gastos públicos e diferentes grupos da sociedade, além de exigir a preservação de capital político para o futuro.
O economista Gustavo Franco, ex-presidente do Banco Central, apresentou uma avaliação mais favorável. Para ele, a reação dos mercados indica que agentes econômicos identificam a possibilidade de mudanças na condução da política econômica.
Franco afirmou que as negociações poderiam começar antes da posse. Ele citou como referência a aprovação da PEC da Transição, negociada depois da eleição de 2022 e aprovada antes do início do governo Lula. Na visão do economista, um processo semelhante poderia ser usado para discutir uma agenda fiscal durante a transição, mas com o objetivo de criar condições para ajustar as contas públicas, e não de ampliar gastos.







