O petróleo Brent subiu 5,70% nesta quinta-feira (8), para US$ 105,91 (R$ 531,20) por barril, por volta das 12h30 (horário de Brasília). A alta ocorreu em meio ao temor de novos ataques dos Estados Unidos ao Irã e de impactos sobre o fornecimento global de energia.
A cotação é a maior desde 24 de setembro, quando o barril estava em US$ 108,23. O WTI, referência usada nos Estados Unidos, era negociado a US$ 90,89 (R$ 455,77), com valorização de 2,86%, por volta das 14h15.
A Casa Branca pediu ao Pentágono que preparasse opções para ataques a instalações no Irã antes das eleições legislativas de meio de mandato dos EUA, marcadas para novembro. O controle das duas casas do Congresso pelos republicanos de Donald Trump está sob risco, e uma operação mais ampla poderia ser planejada para depois da votação de 3 de novembro.
A dimensão e os alvos de uma eventual ofensiva ainda estavam em discussão. Os defensores da medida, porém, não acreditavam que os ataques levariam Teerã à mesa de negociações ou reabririam o estreito de Hormuz. A intenção seria demonstrar força antes da votação.
Hormuz e produção nos EUA
O tráfego pelo estreito de Hormuz caiu ao menor nível em mais de dois meses após os ataques na região. Sete navios de transporte de commodities cruzaram o local na terça-feira (6), o menor número desde 23 de julho, segundo dados da empresa de análise Kpler.
A apreensão também aumentou após ataques a navios-tanque atribuídos ao regime do Irã e ofensivas dos houthis, grupo do Iêmen aliado ao país, contra aeroportos da Arábia Saudita. No início da semana, o petróleo havia recuado com sinais de retomada das exportações do Oriente Médio e com o acordo dos países do G7 para liberar parte de suas reservas de emergência.
Chevron e Shell anunciaram que vão reduzir a produção de petróleo nos EUA por causa da aproximação do furacão Isaias. O sistema se intensificou a 715 km ao sul-sudoeste da foz do rio Mississippi e se tornou o primeiro furacão da temporada atlântica de 2026.
O Centro Nacional de Furacões dos EUA informou que o Isaias tinha ventos máximos sustentados de 120 km/h nesta quinta-feira (8). A previsão era de fortalecimento adicional e de manutenção como furacão forte durante a aproximação da costa norte do Golfo do México na noite de sexta-feira. A trajetória projetada incluía áreas de produção offshore de petróleo e gás e instalações de refino em terra firme.
A disposição dos membros da Agência Internacional de Energia para liberar mais petróleo de suas reservas não foi suficiente para acalmar os operadores. A combinação de ameaças militares, menor circulação no estreito e possível redução da produção nos EUA alimentou os temores inflacionários.
Bolsas recuam na Ásia e na Europa
A queda dos três principais índices de Wall Street na quarta-feira (7) repercutiu nos mercados asiáticos. O CSI300, que reúne empresas listadas em Xangai e Shenzhen, recuou 1,1% e fechou em 4.310 pontos, no menor nível desde agosto de 2025.
Em Xangai, o SSEC caiu 0,8%, enquanto o Índice Star 50, voltado ao setor de tecnologia, desabou quase 5% e atingiu a menor cotação em cinco meses. Os mercados chineses haviam reaberto após uma semana fechados por causa de um feriado.
Também houve perdas em Tóquio (-1,42%), Seul (-2,62%), Hong Kong (-1,43%), Taiwan (-0,99%) e Singapura (-3,49%). Na Europa, o STOXX 600 operava em baixa de 1,42% por volta das 7h30. Frankfurt recuava 1,12%, Londres, 0,61%, Paris, 1,12%, Madri, 1,52%, e Milão, 1,67%.
Para Wang Zhuo, sócio da Shanghai Zhuozhu Investment, o otimismo excessivo no primeiro semestre com ações de tecnologia de ponta, como fabricantes de chips, levou a avaliações muito altas. Ele afirmou que “as bolhas inevitavelmente estourariam”.







