A previsão do Banco Central para o crescimento da economia em 2027 é de 1,4%, em sua primeira estimativa para o período. O dado foi divulgado nesta quinta-feira no Relatório de Política Monetária (RPM), que também reduziu de 2,0% para 1,8% a projeção para o Produto Interno Bruto (PIB) deste ano.
Atividade perdeu força
A revisão considera o resultado do PIB no segundo trimestre, com expansão de 0,5%, e os primeiros indicadores do terceiro trimestre. Para o BC, a composição do crescimento entre abril e junho foi menos favorável do que o resultado agregado sugeria.
Indústria e serviços, setores mais sensíveis ao ciclo econômico, tiveram desempenho abaixo do esperado. O consumo das famílias também apresentou resultado mais fraco. Os dados setoriais do terceiro trimestre, segundo o relatório, apontam na mesma direção.
O Banco Central afirmou que as surpresas positivas do segundo trimestre ficaram concentradas na agropecuária e na indústria extrativa, enquanto os setores cíclicos da oferta e o consumo das famílias tiveram desempenho inferior às expectativas. “Embora o resultado agregado do PIB tenha superado ligeiramente o esperado, as surpresas positivas concentraram-se em segmentos menos sensíveis ao ciclo econômico”, disse o RPM.
A instituição avalia que os primeiros resultados do terceiro trimestre sugerem uma atividade mais fraca do que a prevista anteriormente. O governo também revisou sua estimativa oficial para o PIB deste ano, de 2,3% para 2,0%.
Projeção para 2027
A estimativa de 1,4% para 2027 considera expansão moderada dos componentes da oferta e da demanda. Entre os fatores citados estão a manutenção da política monetária em terreno contracionista, a reduzida ociosidade dos fatores de produção, a incerteza no cenário externo e a redução dos impulsos fiscal e creditício.
O BC também espera uma contribuição menor da agropecuária e da indústria extrativa. Na comunicação do Comitê de Política Monetária (Copom), o colegiado indicou maior confiança na desaceleração da atividade, considerada necessária para a convergência da inflação à meta.
A taxa básica de juros, a Selic, está em 13,75% ao ano. O Copom afirmou que o PIB do segundo trimestre de 2026 confirmou a desaceleração indicada por outros indicadores, especialmente nas atividades e nos componentes da demanda mais sensíveis ao ciclo econômico.







