O Banco Central reduziu de 2,0% para 1,8% a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) deste ano e estimou expansão de 1,4% para 2027. A revisão foi divulgada nesta quinta-feira, junto com a avaliação de que a economia brasileira passa por uma perda de dinamismo iniciada no final de 2024, durante o ciclo de aperto monetário.
A autoridade monetária atribuiu a mudança a uma composição menos favorável do PIB no segundo trimestre, que cresceu 0,5%, com menor impulso do consumo das famílias e de setores mais cíclicos. Para o Banco Central, a desaceleração deve continuar no terceiro trimestre. O diretor de Política Econômica, Paulo Picchetti, afirmou que não há, neste momento, perspectiva de recessão significativa em 2027.
Cautela na política monetária
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, disse que os dados recentes tornaram mais claras as evidências de perda de ritmo da atividade. A taxa Selic está em 13,75%, após cinco cortes consecutivos de 0,25 ponto percentual. O BC não indicou qual será sua orientação para os juros nas próximas reuniões.
Galípolo afirmou que a autoridade monetária tem evitado reagir de forma intensa a cada novo dado. “Esse é um BC que não é muito emotivo”, disse durante entrevista à imprensa sobre o Relatório de Política Monetária.
A cautela, segundo ele, está ligada à incerteza do cenário prospectivo, especialmente à continuidade da guerra no Oriente Médio, que pressiona os preços do petróleo e dos combustíveis. O presidente do BC também mencionou respostas do Questionário Pré-Copom, que apontaram simultaneamente mais evidências de desaceleração e maior preocupação com choques de oferta.
Entre esses choques está o efeito do El Niño. Exercícios do Banco Central indicam que o fenômeno pode reduzir a produtividade das lavouras de milho e arroz no país. Galípolo disse que os dados continuam sendo o principal guia da autoridade, mas que devem ser analisados com humildade diante da incerteza e sem apoio em uma falsa precisão.








