São José dos Campos, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Economia

Petróleo e investimentos em data centers mantêm Brasil no radar estrangeiro

Mesmo com juros dos EUA em alta e Selic em queda, analistas apontam fatores que sustentam o interesse pelo Brasil.

Petróleo e investimentos em data centers mantêm Brasil no radar estrangeiro

A alta do petróleo e o ingresso de recursos estrangeiros em data centers ajudam a manter o Brasil no radar dos investidores, apesar da redução da diferença entre os juros brasileiros e americanos. Na última quarta-feira (16), o Banco Central cortou a Selic para 13,75%, enquanto o Federal Reserve elevou os juros dos Estados Unidos para a faixa entre 3,75% e 4%.

Vitor Kayo, economista sênior da Nomad, afirma que o diferencial ainda sustenta a atratividade dos ativos brasileiros: “A distância [de juros entre Brasil e EUA] ainda é muito grande. Os investidores ainda conseguem ver o Brasil como um lugar atrativo”. Ele avalia que a redução do incentivo não significa necessariamente interrupção do fluxo de recursos.

A taxa americana mais alta torna os Treasuries, títulos soberanos dos EUA, relativamente mais atraentes e pode pressionar ativos de mercados emergentes. O movimento também tende a favorecer a valorização do dólar ante moedas como o real e reduz o estímulo ao carry trade, estratégia que explora diferenças de juros entre países.

Petróleo e capital estrangeiro

Analistas consideram que outros elementos têm pesado na avaliação dos ativos brasileiros. A escalada do conflito envolvendo o Irã e outros países do Oriente Médio levou o petróleo a níveis acima de US$ 100 (R$ 515), cenário que favorece empresas brasileiras do setor.

Rachel de Sá, estrategista de investimentos da XP, também cita o isolamento geopolítico relativo do Brasil e a geração de arrecadação associada às exportações de petróleo. Em maio, a Ascenty anunciou investimento de R$ 30 bilhões em data centers no interior de São Paulo.

A perda de força do chamado trade de inteligência artificial, concentrado em empresas de tecnologia, também contribui para a rotação global de investimentos. Para Rachel, a redução desse movimento recoloca o Brasil no radar de investidores.

As projeções ainda indicam incerteza sobre os próximos passos. Na manhã deste domingo (20), a ferramenta FedWatch, do CME Group, apontava 57% de chance de nova alta dos juros americanos para a faixa entre 4% e 4,25% na reunião de outubro. No Brasil, as Opções de Copom, da B3, indicavam que 57% das posições apostavam em novo corte da Selic, para 13,5%, em novembro.

Para 2027, a ferramenta do CME Group precifica a possibilidade de a taxa americana chegar a 4,5%, enquanto o Boletim Focus aponta Selic de 12% no Brasil. O boletim mais recente, do último dia 14, projeta crescimento de 1,45% do PIB em 2027, ante 1,89% no fim de 2026.

Renda fixa

A Selic em 13,75% mantém a renda fixa brasileira atrativa, especialmente os investimentos pós-fixados. A expectativa de continuidade dos cortes também elevou o interesse por títulos prefixados, que permitem fixar uma taxa antes de uma eventual queda dos juros.

Nos Estados Unidos, a taxa do Treasury de dois anos chegou a 4,745% no pico da semana, o maior nível desde 2024. Como preços e rendimentos se movem em direções opostas, a elevação dos rendimentos implica queda nos preços dos títulos.

Rachel diz que a XP aumentou a exposição a títulos prefixados no início de setembro, diante da expectativa de continuidade da redução dos juros e da avaliação de que as taxas oferecem prêmio. Álvaro Frasson, estrategista macro do BTG Pactual Portfolio Solutions, considera os pós-fixados uma alternativa diante das incertezas externas e internas, incluindo a possibilidade de novas altas pelo Fed e as eleições em outubro.

Texto produzido pela Redação Fato Aberto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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