O risco de desequilíbrios nas contas públicas pode interromper o ciclo de redução da Selic, avaliou Diogo Almeida, economista-chefe da Pequod Investimentos. Segundo ele, a situação fiscal, a eleição presidencial e as expectativas sobre a política econômica do governo que assumirá em 2027 estarão entre os fatores que influenciarão as próximas decisões do Comitê de Política Monetária (Copom).
Na quarta-feira (16), o Banco Central reduziu a taxa básica de juros de 14% para 13,75% ao ano, em um corte de 0,25 ponto percentual. A decisão deu continuidade ao processo iniciado em março. Nos Estados Unidos, o Federal Open Market Committee elevou os juros em 0,25 ponto percentual, para a faixa entre 3,75% e 4% ao ano.
Para Almeida, “a permanência dos desequilíbrios fiscais pode pressionar o câmbio e as expectativas de inflação, interrompendo o ciclo de cortes da Selic já em novembro e dezembro próximos”. Ele acrescentou que uma melhora na percepção sobre as contas públicas poderia reduzir a curva de juros.
A inflação brasileira acumulou 4,22% em 12 meses até agosto, abaixo dos 4,64% registrados em junho, mas ainda acima da meta de 3%. A inflação de serviços subjacentes permanecia próxima de 5%. O Copom informou que a projeção do IPCA para o 1º trimestre de 2028, considerado o horizonte relevante da política monetária, segue em 3,2%.
Almeida afirmou que a desaceleração do crescimento da demanda agregada aumentou a confiança na convergência da inflação para a meta, mas disse que os núcleos continuam pressionados. O petróleo também permanece entre os pontos de atenção por causa do risco de impacto sobre os preços.
Nos Estados Unidos, o CPI acumulou alta de 3,4% em 12 meses até agosto, enquanto o núcleo ficou em 2,4%. Em agosto, foram criadas 162 mil vagas, acima da expectativa de 56 mil. A meta do Fed para o núcleo é de 2% ao ano.
Mesmo com movimentos opostos nas taxas, o diferencial de juros permanece próximo de 10 pontos percentuais em favor do Brasil. Para Almeida, títulos pós-fixados são opções para recursos de curto prazo e liquidez. Prefixados e papéis indexados à inflação podem se beneficiar caso a queda dos juros continue, enquanto a renda variável exige atenção às incertezas fiscais e eleitorais.







