SÃO PAULO — A Casas Bahia negocia com bancos e fundos de investimento um empréstimo inicial entre R$ 150 milhões e R$ 500 milhões, enquanto aguarda a análise da Justiça sobre seu pedido de recuperação judicial. A companhia pretende alcançar R$ 1 bilhão em financiamento.
As informações foram relatadas por pessoas próximas à varejista. O crédito seria do tipo DIP, sigla em inglês para debtor in possession, uma modalidade de financiamento destinada a empresas em recuperação judicial.
O pedido apresentado pela Casas Bahia busca reestruturar dívidas de R$ 17,3 bilhões, mas ainda não foi aprovado pela Justiça de São Paulo. Esse é um dos impasses para a assinatura do empréstimo. Também estão em discussão os prazos de pagamento e as garantias exigidas pelas instituições financeiras.
No último dia 28, a juíza Tainá Maria Leonardo de Oliveira, da 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo, antecipou os efeitos da recuperação judicial e garantiu à varejista proteção contra credores por 180 dias.
A aprovação depende ainda de uma perícia determinada pela Justiça. A ACDB Administração Judicial foi escolhida para verificar as condições de funcionamento da empresa e a regularidade dos documentos apresentados. O trabalho inclui a análise de lojas físicas, centros de distribuição, site e aplicativo, além da existência de desabastecimento perceptível e do funcionamento dos sistemas de venda física e digital. O prazo para conclusão do laudo termina nas próximas semanas.
Uso do financiamento
O empréstimo é considerado necessário para cobrir despesas operacionais, como pagamentos a funcionários e fornecedores, e manter a varejista em funcionamento durante a crise.
Após o pedido de recuperação judicial, um fabricante informou que pedidos de mercadorias com entregas previstas foram suspensos e que o modelo de pagamento foi alterado. Antes, os produtos eram enviados às lojas e aos centros de distribuição com prazo de pagamento de 45 a 90 dias, conforme o contrato. Depois, a fornecedora passou a exigir pagamento à vista antes do envio. Há outros casos semelhantes em discussão, segundo fontes.








