SÃO PAULO — Belline Santana, ex-chefe de Supervisão Bancária do Banco Central, disse à Polícia Federal ter se reunido com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, ao menos três vezes na casa dele em São Paulo e outras duas em Brasília. O depoimento foi prestado em 25 de agosto.
Belline não informou as datas dos encontros e afirmou apenas que uma das reuniões em Brasília ocorreu em 2024. Em parte das ocasiões, ele teria ido sozinho; nas demais, acompanhado de Paulo Sérgio Neves de Souza, ex-diretor do BC e chefe-adjunto do departamento de Supervisão Bancária desde 2023.
Segundo documento da PF, Belline afirmou que os encontros tinham caráter institucional e serviam para discutir estratégias relacionadas ao modelo de negócios de Vorcaro, afetado pelo ambiente econômico e regulatório. Ele também declarou ter comunicado as reuniões à diretoria do Banco Central. Membros da instituição, porém, disseram desconhecer os compromissos, e o BC não se manifestou.
A agenda pública de Belline não registra visitas à residência de Vorcaro. Os compromissos oficiais listados ocorreram em prédios do BC, na sede do Banco Master em São Paulo ou por videoconferência. Há apenas um encontro em São Paulo, em 15 de agosto de 2023, sem indicação do local.
Depoimentos à PF
Belline confirmou que esteve na residência de Vorcaro em São Paulo para aprofundar discussões sobre atividades de supervisão. Ele disse acreditar que foram cerca de três visitas, mas não soube precisar o total. Em relação a Brasília, afirmou que o endereço também abrigava o escritório de representação comercial do banco, com salas de reunião.
Paulo Sérgio declarou que o escritório funcionava na casa de Vorcaro e tinha recepção, secretária, sala de reuniões e um banner do banco. Segundo ele, ocorreram três ou quatro reuniões no local, sem datas informadas. Vorcaro, ouvido pela PF em 28 de agosto, confirmou ter encontrado poucas vezes os dois servidores em suas residências em Brasília e São Paulo.
Vorcaro afirmou que sua casa em Brasília também servia como escritório e que os encontros trataram de questões apontadas pela supervisão do Banco Master, incluindo problemas de liquidez. Ele também disse ter recebido pessoas para compromissos profissionais em sua casa em São Paulo, em 2024, durante uma mudança de escritório.
Belline trabalhou no Banco Central desde 1998 e comandou a Supervisão Bancária entre 2019 e janeiro deste ano. Ele ocupou o cargo durante as gestões de Roberto Campos Neto e Gabriel Galípolo.
O depoimento ocorreu em meio à investigação sobre pagamentos feitos a Belline por meio da Varajo Consultoria. Segundo informações do caso, ele teria recebido R$ 3,8 milhões para um projeto social. Belline negou favorecimento ao Banco Master e afirmou que os pagamentos não correspondiam à entrega de um produto específico. Também disse que não recebeu a totalidade dos recursos previstos no segundo contrato.








