SINGAPURA — O Fundo Monetário Internacional (FMI) avalia oferecer financiamento externo a países vulneráveis afetados pelo El Niño, que já provoca eventos meteorológicos extremos e ameaça colheitas em diferentes regiões. A diretora-gerente da instituição, Kristalina Georgieva, afirmou que o organismo se prepara para atuar caso os impactos se agravem.
Na América Central, a seca no chamado Corredor Seco Centro-americano provoca escassez de alimentos e leva agricultores a vender o gado antes que os animais morram. Na Índia, alterações nas monções colocam as colheitas em risco. No Pacífico oriental, o aquecimento dos oceanos faz espécies de peixes migrarem para águas mais profundas, reduzindo a pesca e afetando comunidades locais.
“Estamos muito preocupados com o El Niño, de uma intensidade superior à média, e com seus impactos sobre a segurança alimentar”, disse Georgieva durante entrevista em Singapura nesta quarta-feira (7).
Países mais expostos
Segundo a diretora-gerente, os países insulares do Pacífico, Bangladesh, Laos e algumas regiões da África enfrentam uma situação difícil. Ela defendeu uma cooperação internacional coordenada para responder aos efeitos do fenômeno.
Georgieva também alertou para as pressões inflacionárias provocadas pelo aumento do custo dos alimentos. A combinação do El Niño com a alta dos preços da energia associada à guerra no Oriente Médio pode levar alguns membros do FMI a buscar recursos externos.
Enquanto o conflito no Golfo continua e o inverno se aproxima no Hemisfério Norte, o FMI recomendou cautela na ampliação de subsídios à energia. A diretora-gerente lembrou que governos recorreram ao endividamento e elevaram déficits para apoiar famílias e empresas durante a pandemia de covid-19, a guerra na Ucrânia, o choque inflacionário, a alta das taxas de juros e o choque energético.
Para ela, esse modelo deixou de ser sustentável diante do aumento dos juros e dos custos de endividamento. Georgieva defendeu uma seleção mais rigorosa das ajudas e afirmou que os bancos centrais têm papel central no combate à inflação, que pesa mais sobre as famílias com menos recursos.
O FMI também acompanha os efeitos dos investimentos em inteligência artificial. A instituição considera a tecnologia um motor da economia mundial, mas alerta que uma desaceleração no setor ou uma retirada de capitais poderia gerar riscos para a estabilidade financeira. O Fundo ainda monitora a alta simultânea dos rendimentos dos títulos soberanos dos Estados Unidos, do Japão e de países europeus, especialmente da França.








