As taxas de juros de longo prazo de vários países ricos atingiram nesta quinta-feira (1°) níveis recordes ou próximos das máximas de décadas. A alta ocorre em meio à elevação dos preços do petróleo e às dúvidas sobre a sustentabilidade das dívidas públicas.
Na França, o rendimento dos títulos de dez anos subiu para 4,96%, ante 4,85% no dia anterior, no maior nível desde 2002. O governo apresentou um projeto de orçamento para 2027 com previsão de economias de € 43 bilhões.
Nos Estados Unidos, a taxa equivalente chegou a 5,34%, acima dos 5,29% registrados no dia anterior e no maior patamar dos últimos 24 anos. No Reino Unido, alcançou 5,50%, nível não visto desde 2007. O rendimento dos títulos britânicos de 30 anos superou 6% pela primeira vez desde 1998.
Essas taxas indicam o custo para os países tomarem recursos nos mercados, financiarem despesas e pagarem dívidas. A pressão também atinge famílias e empresas, que enfrentam empréstimos mais caros. A alta da energia acelera a inflação nas grandes economias, levando investidores a prever novos aumentos dos juros básicos pelos principais bancos centrais.
O rendimento dos títulos alemães de 10 anos chegou a 3,64% e depois voltou a 3,58%, nível equivalente ao de 2009. Na Itália, a taxa subiu para 4,69%, ante 4,61% no dia anterior.
Pressão sobre a França
O primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, apresentou o projeto de orçamento para 2027 em meio a incertezas políticas. Ele afirmou que “A realidade está batendo à porta”, em referência ao aumento dos juros pagos pelo país.
Investidores questionam a aprovação do pacote diante do impasse político e dos níveis elevados de déficit e dívida em relação ao PIB. Para John Plassard, analista da Cité Gestion Private Bank, o risco político francês já alcança 2027, às vésperas da eleição presidencial.
A pressão também afetou as bolsas. Paris caiu 1,21%, Londres recuou 1,54%, Milão perdeu 0,97% e Frankfurt baixou 0,54% no meio do dia. Na Ásia, Tóquio fechou em alta de 3,30%, impulsionada pelo desempenho de empresas de semicondutores ligadas aos investimentos em inteligência artificial.







