São José dos Campos, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Economia

OCDE projeta avanço global de 2,9% e vê riscos em energia e clima

Organização prevê crescimento mundial de 2,9% em 2026, mas mantém cautela diante da guerra, do petróleo e do El Niño.

OCDE projeta avanço global de 2,9% e vê riscos em energia e clima

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) prevê que a economia mundial crescerá 2,9% em 2026, após revisar a estimativa para cima em 0,1 ponto. O resultado ainda ficará abaixo do avanço de 3,4% registrado no ano passado.

A entidade divulgou a projeção nesta quarta-feira (23), em seu relatório trimestral sobre a economia global. Para 2027, a expectativa é de crescimento de 3%, com a redução gradual dos preços dos combustíveis e a desaceleração da inflação.

Guerra e energia mantêm o cenário aberto

A OCDE afirmou que a atividade econômica tem resistido às turbulências da guerra no Oriente Médio, principalmente por causa dos subsídios públicos aos preços da energia e da continuidade dos investimentos relacionados à inteligência artificial. A organização, que tem sede em Paris, resumiu o cenário dizendo que “O crescimento econômico mundial desacelerou, mas permaneceu resiliente”.

Entre os fatores que sustentam a economia, o relatório cita medidas discricionárias de apoio dos governos, o uso parcial de produtos substitutos, como o carvão, o aumento da oferta de petróleo fora das economias do Golfo e a retirada de reservas da commodity. A instituição também destaca o dinamismo persistente das atividades ligadas à inteligência artificial.

A previsão, porém, está sujeita à evolução da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã, iniciada no fim de fevereiro. O conflito afetou o fornecimento de petróleo e gás, especialmente após o bloqueio do Estreito de Ormuz por Teerã, uma rota estratégica para o transporte de combustíveis.

O barril de petróleo voltou a ser negociado abaixo de 100 dólares nesta semana, em meio à expectativa de avanços diplomáticos durante a Assembleia Geral da ONU em Nova York. A alta da energia e dos preços reduz o poder de compra e contribui para a desaceleração em relação ao ano passado.

Projeções para países e regiões

A OCDE elevou as previsões para os Estados Unidos, que devem crescer 2,2% em 2026 e 2,1% em 2027. Para a China, a organização estima desaceleração, com expansão de 4,5% neste ano e de 4,2% em 2027.

A zona do euro deve avançar 1% em 2026, uma revisão de 0,2 ponto para cima. A Alemanha aparece com projeção de 1,1%, após alta de 0,4 ponto, enquanto a estimativa para a França foi reduzida para 0,4%, uma queda de 0,3 ponto.

Na América Latina, a Argentina deve crescer 2,6% neste ano, 0,2 ponto abaixo da previsão anterior, depois de registrar expansão de 4,5% em 2025. Para 2027, a expectativa é de avanço de 3%, uma redução de 0,5 ponto. A OCDE também prevê desinflação no país, com inflação de 30,8% neste ano, apesar dos custos de energia e fertilizantes.

México e Brasil, segundo a organização, devem contornar as pressões geopolíticas. O México tem projeção de crescimento de 1,5% em 2026, revisão de 0,7 ponto, e de 1,8% em 2027, sem alteração. Para o Brasil, a estimativa é de alta de 2% neste ano, 0,4 ponto acima da anterior, e de 1,9% no próximo, com redução de 0,2 ponto.

El Niño amplia riscos para os alimentos

A OCDE avalia que os fenômenos meteorológicos extremos representam uma ameaça para a América Latina e outras regiões. O El Niño deve atingir seu ponto máximo no fim do ano e produzir possíveis efeitos até 2027.

A entidade afirmou que o fenômeno, combinado com interrupções persistentes no fornecimento de fertilizantes provenientes do Golfo, pode pressionar os preços dos alimentos. “Isto, somado a certas interrupções persistentes no fornecimento de fertilizantes provenientes do Golfo, pode ampliar as pressões de alta previstas sobre os preços dos alimentos”, advertiu a organização.

Segundo a OCDE, o impacto potencial inclui redução da produção agrícola nas economias mais expostas da América Latina, da África e da região Ásia-Pacífico. A inflação global deve desacelerar com a elevação das taxas de juros de referência por bancos centrais, entre eles o BCE, na zona do euro, e o Federal Reserve dos Estados Unidos.

Texto produzido pela Redação Fato Aberto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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