RIO DE JANEIRO — A renda média do trabalho no Brasil comprava o equivalente a 4,07 cestas básicas no trimestre encerrado em agosto de 2026. O resultado supera em 15% o registrado em agosto de 2022, mas permanece cerca de 15% abaixo da média observada entre 2010 e 2019, antes da pandemia.
O cálculo é do economista Bruno Imaizumi, da consultoria 4intelligence, e considera o rendimento habitual de todos os trabalhos, calculado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Para chegar ao resultado, o levantamento usou uma renda média mensal de R$ 3.777 e o preço médio de R$ 927,02 para a cesta básica em São Paulo nos mesmos três meses.
A capacidade de compra também melhorou para quem recebe o salário mínimo. Em agosto de 2026, o piso permitia comprar 1,8 cesta básica, acima das 1,62 cestas de agosto de 2022. A alta foi de 11,3%. O cálculo considera o salário mínimo de R$ 1.621 e o custo médio de R$ 900,59 da cesta na cidade de São Paulo.
Mesmo com o avanço, o resultado do salário mínimo ficou aproximadamente 13% abaixo da média registrada entre 2010 e 2019. Naquele período, o piso comprava 2,07 cestas básicas em São Paulo. O maior nível da série histórica, iniciada em 1998, foi de 2,28 cestas em março de 2012.
A cesta usada na análise é a pesquisada pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos). O conjunto reúne 13 itens: carne, leite, feijão, arroz, farinha, batata, tomate, pão, café, banana, açúcar, óleo e manteiga. Não há uma média nacional para esse grupo de alimentos.
As projeções de Imaizumi indicam que o poder de compra deve continuar abaixo da média pré-pandemia pelo menos até dezembro de 2027, tanto no caso do salário mínimo quanto no da renda do trabalho. O primeiro turno das eleições de 2026 ocorre neste domingo (4).
O economista afirma que o preço dos alimentos é um tema sensível para os eleitores. Segundo ele, a melhora dos rendimentos durante o governo Lula não compensou toda a alta acumulada dos alimentos após o choque da pandemia.
O El Niño aparece como o principal risco para a inflação dos alimentos a partir do final de 2026. O fenômeno pode alterar a distribuição das chuvas e afetar a produção agropecuária. Em caso de perdas no campo, os custos podem ser repassados ao consumidor.
O preço dos alimentos também entrou no debate eleitoral. A campanha do senador Flávio Bolsonaro associa o custo dos produtos nos supermercados ao governo Lula. Em resposta, Lula declarou: “Tem gente prometendo baixar o preço das coisas. Mas, quando eles tiveram a caneta na mão, o arroz e o feijão chegaram às alturas”.
Para o cientista político José Niemeyer, professor do Ibmec no Rio, emprego, inflação e poder de compra podem influenciar eleições. Na avaliação dele, em 2026 o emprego tende a se sobrepor às demais variáveis diante das mudanças no mundo do trabalho. A campanha do presidente tem destacado a queda do desemprego, o reajuste do salário mínimo acima da inflação e a defesa do fim da escala 6×1.








