O Banco Central reduziu a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, para 13,75% ao ano. A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), tomada por unanimidade durante reunião nesta quarta-feira 16, representa o quinto corte consecutivo e leva os juros ao menor nível desde março de 2025.
O comunicado do colegiado afirma que a redução é compatível com a estratégia de levar a inflação para perto da meta no horizonte relevante. A nota também registra aumento da incerteza, expectativas desancoradas e riscos elevados em relação ao cenário considerado como base.
A taxa real de juros do Brasil está em 8,45%, a maior do mundo no monitoramento das consultorias MoneYou e Lev Intelligence. O cálculo considera a taxa “a mercado”, referência para os juros de uma operação real, e a inflação projetada para os 12 meses seguintes. Rússia, Colômbia e Indonésia aparecem abaixo do Brasil nesse indicador.
Justificativas do Copom
No cenário externo, o Banco Central mencionou a indefinição sobre os conflitos armados no Oriente Médio e sobre a política monetária de algumas economias avançadas. No ambiente doméstico, o comitê apontou moderação gradual da atividade econômica, principalmente nos setores mais cíclicos, embora o nível ainda seja considerado resiliente, com mercado de trabalho aquecido.
O órgão disse que conduzirá a política monetária com serenidade e cautela e que continuará acompanhando a evolução do cenário para manter o grau de restrição necessário à convergência da inflação para a meta.
A redução foi aprovada pelo presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e pelos diretores Ailton Aquino, Gilneu Francisco Astolfi Vivan, Izabela Moreira Correa, Nilton José Schneider David, Paulo Picchetti e Rodrigo Alves Teixeira.
O Copom está com duas diretorias vagas desde 31 de dezembro do ano passado: Organização do Sistema Financeiro e Política Econômica. Os ocupantes anteriores eram os últimos remanescentes do governo de Jair Bolsonaro (PL). Cabe ao presidente Lula (PT) encaminhar os nomes ao Senado, mas as indicações devem ocorrer depois das eleições, segundo integrantes do governo e da equipe econômica.
Inflação e efeito sobre o crédito
A Selic é usada nas negociações de títulos públicos emitidos pelo Tesouro Nacional e serve de referência para outras taxas da economia. Também é o principal instrumento do Banco Central para controlar a inflação.
O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulou alta de 4,22% em 12 meses, abaixo do teto da meta. Em agosto, o índice recuou 0,32%.
Juros elevados encarecem o crédito e estimulam a poupança, ajudando a conter a demanda e as pressões sobre os preços. A Selic mais baixa tende a favorecer crédito, consumo e investimentos, embora os bancos também considerem inadimplência, custos administrativos e margem de lucro na definição das taxas cobradas dos consumidores.
As próximas reuniões do Copom em 2026 estão previstas para 3 e 4 de novembro e 8 e 9 de dezembro.






