A cobrança da Tether Investments levou à liquidação judicial da Titan Capital Holding, empresa ligada ao Banco Master nas Ilhas Cayman. A divisão de investimentos da Tether reivindica US$ 326,2 milhões, além de 649,5 mil libras referentes a custos de arbitragem em Londres.
Em março de 2025, a Tether havia concedido à Titan uma linha de crédito de US$ 300 milhões, garantida por recebíveis de empréstimos consignados associados ao Master. Depois do rebaixamento de ratings e da liquidação extrajudicial do banco pelo Banco Central do Brasil, em novembro de 2025, a credora notificou o vencimento antecipado da dívida.
A Titan contestou a cobrança na Corte de Arbitragem Internacional de Londres, mas recebeu decisões desfavoráveis. Sem pagamento, a Tether pediu a liquidação da holding nas Ilhas Cayman.
Credores e falta de recursos
A Grant Thornton, liquidante judicial da Titan, realizou nesta quarta-feira (9) a primeira reunião com credores. Cinco deles apresentaram provas de dívidas que totalizam US$ 1,064 bilhão (R$ 5,43 bilhões), ainda sujeitas a análise.
O relatório apresentado na reunião informa que não há dinheiro disponível nas Ilhas Cayman. Os possíveis ativos estão relacionados a participações em subsidiárias brasileiras e a fundos de investimento ligados ao Master. A Grant Thornton procura financiamento de terceiros para custear o processo e convidou credores interessados a se manifestarem.
Os honorários da consultoria já alcançam US$ 572,8 mil (R$ 2,9 milhões). Há ainda US$ 89 mil (R$ 454 mil) em despesas com advogados externos. Foram contratados profissionais nas Ilhas Cayman, nos Estados Unidos e no Brasil, que notificaram mais de 70 partes, entre bancos, custodiantes e executivos. A maior parte dos livros e registros financeiros solicitados ainda não foi entregue.
A consultoria avalia abrir uma ação sob o Chapter 15 nos Estados Unidos para reconhecer a liquidação de Cayman, proteger ativos e exigir documentos que estejam com instituições e agentes americanos.
Relação com o Brasil
Daniel Vorcaro é o único acionista da Titan. Os diretores registrados são Angelo Antonio Ribeiro da Silva e Luiz Antonio Bull, ex-executivos do Master no Brasil. Ambos respondem a processos criminais, têm bens bloqueados no país e não responderam aos pedidos de esclarecimento dos liquidantes.
A Titan mantinha uma inscrição ativa de contribuinte não residente no Brasil, sob o CNPJ 57.265.362/0001-21, aberta em 12 de setembro de 2024. O registro foi criado originalmente com a razão social Master Holding – Sefer Investimentos Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários Ltda., nome associado a Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como Mineiro.
Investigações da Polícia Federal e dados do Conselho de Controle de Atividades Financeiras apontaram que a Sefer teria sido usada para triangular repasses suspeitos à Entre Investimentos, empresa de intermediações financeiras de Freixo. Ele fez acordo de delação com a Procuradoria-Geral da República, ainda pendente de homologação pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal.
A EFB Regimes Especiais, liquidante extrajudicial do Banco Master no Brasil, apontou que a Titan recebeu mais de R$ 700 milhões do banco entre janeiro e julho de 2025, antes da liquidação pelo Banco Central, em novembro. As duas liquidações tentam coordenar a recuperação de documentos que estejam no Brasil. Até o fechamento do relatório, o liquidante brasileiro não havia apresentado prova de dívida contra a Titan.






