São José dos Campos, Sexta-feira, 2 de outubro de 2026
Justiça

Alexandre de Moraes enfrenta análise sobre investigação no Supremo

Ministro chegou ao STF em 2017 e acumulou atuação no TSE, no inquérito das fake news e no caso da tentativa de golpe.

Alexandre de Moraes enfrenta análise sobre investigação no Supremo

Alexandre de Moraes será analisado por seus colegas do Supremo Tribunal Federal em sessão marcada para esta terça-feira (15). O plenário discutirá se é cabível abrir uma investigação contra o ministro, após a divulgação de mensagens relacionadas ao caso Master e ao empresário Daniel Vorcaro.

Indicado ao STF por Michel Temer em 2017, Moraes passou a ser questionado depois que André Mendonça, antigo relator do caso Master, retirou o sigilo de mensagens que mostram contatos entre o ministro e Vorcaro. A divulgação ocorreu após uma disputa de liminares e acusações entre integrantes da corte.

Da carreira pública ao Supremo

Moraes é graduado e doutor pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, onde também é professor titular de direito constitucional. Em 1991, ingressou por concurso no Ministério Público de São Paulo e permaneceu na instituição até 2002. Depois, ocupou cargos como o de presidente da extinta Febem, atual Fundação Casa.

Em 2010, fundou um escritório de advocacia, no qual trabalhou até 2014. No ano seguinte, tornou-se secretário de Segurança Pública do estado de São Paulo, durante o governo de Geraldo Alckmin. Em 2016, assumiu o Ministério da Justiça e Segurança Pública no governo Michel Temer.

A indicação ao Supremo ocorreu para preencher a vaga de Teori Zavascki, morto em um acidente aéreo. Na sabatina da Comissão de Constituição e Justiça do Senado, Moraes foi questionado por ter sido filiado ao PFL, ao MDB e ao PSDB. A indicação recebeu 55 votos favoráveis no plenário do Senado; eram necessários 41.

Nos primeiros anos na corte, sua atuação esteve ligada principalmente a temas de segurança pública, direito penal e direito constitucional. Em uma ação sobre a Lei das Eleições, declarou inválido um trecho que permitia doações ocultas a candidatos. Em abril de 2018, votou contra um habeas corpus para Lula.

Inquérito das fake news e eleições

Moraes ganhou maior protagonismo a partir de 2019, quando passou a relatar o inquérito das fake news. A investigação foi instaurada pelo então presidente do Supremo, Dias Toffoli, sem provocação do Ministério Público, e Moraes foi designado relator diretamente. O objetivo inicial era apurar notícias falsas, acusações caluniosas e ameaças contra o tribunal, seus integrantes e familiares.

A apuração expôs a atuação do chamado gabinete do ódio, associado à disseminação de desinformação durante o governo de Jair Bolsonaro. Em 2020, também revelou uma rede de divulgação de notícias falsas sobre o Supremo. A investigação recebeu críticas da Ordem dos Advogados do Brasil por ter se prolongado e por ter sido utilizada para diferentes finalidades.

Moraes presidiu o Tribunal Superior Eleitoral em 2022, durante uma eleição marcada por ataques às urnas eletrônicas e ao sistema eleitoral. Na função, aprovou medidas para acelerar a remoção de perfis, páginas e grupos nas redes sociais. No segundo turno, determinou que Silvinei Vasques interrompesse operações da Polícia Rodoviária Federal que afetavam o transporte de eleitores.

Em 2024, o TSE aprovou novas resoluções sobre a responsabilidade das plataformas por conteúdos irregulares. No mesmo ano, Moraes determinou o bloqueio do X, depois que a empresa não cumpriu ordens do Supremo. A rede ficou suspensa por 40 dias, até indicar representante legal no Brasil e pagar multas.

Tentativa de golpe e caso Master

Moraes relatou inquéritos sobre a tentativa de golpe ligada a Bolsonaro e seu entorno. A investigação começou após os ataques de 8 de janeiro às sedes dos Três Poderes. Em fevereiro de 2025, a Procuradoria-Geral da República denunciou Bolsonaro e outras 15 pessoas. Entre 2 e 11 de setembro, o Supremo julgou o núcleo central da trama, e Moraes votou pela procedência total da ação penal.

O ex-presidente foi condenado a 27 anos e três meses de prisão em regime fechado e, por razões de saúde, cumpre a pena em casa. Durante o julgamento, Moraes apresentou provas relacionadas ao plano Punhal Verde e Amarelo, que previa o assassinato de Lula, Geraldo Alckmin e do próprio ministro.

No caso Master, mensagens divulgadas após perícia no celular de Vorcaro indicaram contatos entre ele e Moraes, inclusive sobre datas e horários da Operação Compliance Zero. Também foram apontados encontros pessoais, participação do ministro em assuntos ligados a convidados de um fórum financiado pelo banco e a edição de uma minuta de contrato do escritório de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, com o Master.

Mendonça encaminhou o caso ao plenário. A Procuradoria-Geral da República pediu a nulidade da investigação, enquanto Fachin determinou a retirada do sigilo de todo o material e marcou a sessão desta terça-feira (15). A análise sobre eventual abuso de autoridade e direcionamento das investigações dos casos Master e INSS está prevista para 23 de setembro.

Texto produzido pela Redação Fato Aberto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Receba nossa newsletterUma seleção diária, direto na sua caixa de entrada.

As mais lidas

  1. 1
  2. 2
  3. 3
  4. 4
  5. 5