O Conselho Superior do Ministério Público Federal (CSMPF) abriu um procedimento interno para examinar mensagens atribuídas ao banqueiro Daniel Vorcaro que mencionam o procurador-geral da República, Paulo Gonet, no contexto das investigações sobre o Banco Master. A iniciativa ocorreu após uma representação apresentada na quarta-feira 2 por deputados federais do Novo.
A relatoria ficará com o conselheiro Francisco de Assis Sanseverino. Gonet não se manifestou publicamente sobre o conteúdo dos diálogos encontrados no celular de Vorcaro.
Na representação, os parlamentares solicitaram que o colegiado indique um subprocurador-geral da República para atuar “com imparcialidade e independência” em procedimentos relacionados ao caso Master que possam envolver o atual procurador-geral. O documento não atribui ilícito a Gonet, mas afirma que parte dos fatos analisados envolve interlocuções que teriam como destinatários o próprio PGR ou integrantes de sua família.
A abertura do procedimento ocorre durante uma crise que envolve ministros do Supremo Tribunal Federal, a Procuradoria-Geral da República e a cúpula da Polícia Federal nas investigações sobre as fraudes do Master.
Na terça-feira, o ministro André Mendonça levantou o sigilo de um relatório produzido a partir da quebra dos sigilos de Vorcaro. O documento incluiu mensagens encaminhadas ao banqueiro pelo advogado Ciro Soares que seriam de Gonet. Também aparecem diálogos nos quais Vorcaro pede a Alexandre de Moraes que acione o procurador-geral e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, para barrar uma operação contra o banco.
O material registra ainda que o filho de Gonet teria pedido a Vorcaro que comparecesse a um evento custeado pelo banqueiro em Londres, com as despesas pagas. Em outra conversa, Vorcaro solicita a um interlocutor que a PF suspeita ser Moraes a atuação de “Andrei e Paulo” em seu favor.
A interlocução entre Gonet e Vorcaro teria ocorrido por meio de Ciro, inicialmente em abril de 2024. Conforme a Polícia Federal, o advogado escreveu a Vorcaro “Amizade é tudo viu irmão” e depois acrescentou: “Gonet é firme”.
Após a divulgação do conteúdo, Gonet pediu a nulidade da investigação. O procurador-geral alegou que as diligências não poderiam ter sido realizadas sem provocação do Ministério Público ou da própria Polícia Federal. No mesmo contexto, o presidente do STF, Edson Fachin, determinou que Gonet, Mendonça, Moraes e Andrei Rodrigues prestem informações ao tribunal sobre os fatos revelados.







