São José dos Campos, Sexta-feira, 2 de outubro de 2026
Justiça

Decisão de André Mendonça amplia divergências e questionamentos sobre imparcialidade no STF

Advogados avaliam que o afastamento do diretor-geral da PF expõe divergências na Corte e pode gerar debate sobre a atuação do ministro.

Decisão de André Mendonça amplia divergências e questionamentos sobre imparcialidade no STF

A decisão de André Mendonça de afastar preventivamente Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal, ampliou as divergências internas no Supremo Tribunal Federal e abriu questionamentos sobre a imparcialidade do ministro, segundo avaliações de advogados criminalistas.

Mendonça também determinou que a PF instaure procedimentos penais e administrativo-disciplinares para investigar a produção de relatórios de inteligência. Na decisão, ele afirmou haver inadequações, irregularidades e potenciais ilicitudes na conduta de Rodrigues e considerou de alta gravidade a produção dos documentos divulgados por Alexandre de Moraes.

O ministro declarou ainda ter sido submetido a monitoramento sistemático pela inteligência da PF, que classificou como ilícito. Para a advogada Ana Krasovic, o fato de Mendonça se considerar vítima do monitoramento cria uma questão sobre sua imparcialidade e exige a demonstração de um risco concreto para justificar o afastamento de uma autoridade da cúpula da Polícia Federal.

Divergências na Corte

Na quinta-feira (3), dois dias depois de Mendonça retirar o sigilo das investigações sobre a relação entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, Moraes divulgou trechos de um relatório de inteligência da PF. O documento, sem valor probatório, registrou que Mendonça demonstraria interesse na abertura de uma investigação formal sobre o Banco Master e o escândalo do INSS.

O relatório também indicou que Mendonça adotaria posturas diferentes diante de suspeitas relacionadas a Dias Toffoli e Nunes Marques, em comparação com Moraes. O documento afirmou que o ministro apresentaria discurso de defesa em relação aos dois primeiros.

Para Daniel Gerber, mestre em Direito Processual Penal, a decisão revela divergências ideológicas e procedimentais no STF. Ele citou a maioria formada na Segunda Turma para confirmar o afastamento de Rodrigues: durante o julgamento, Gilmar Mendes pediu vista, enquanto Luiz Fux e Kassio Nunes Marques anteciparam os votos para acompanhar o relator.

Gerber afirmou que o conflito não necessariamente levará ao colapso da Corte e avaliou que o confronto pode contribuir para a busca de posições unificadas.

Fernando Hideo, advogado criminalista e professor de Direito Penal, também apontou um racha ideológico no STF. Para ele, a decisão é ilegal e apresenta, entre outros problemas, um vício na origem do pedido feito pelo Partido Novo e uma falta de correspondência entre a solicitação e as medidas adotadas. Hideo também questionou a competência do STF para investigar o caso e criticou o fato de Mendonça ter determinado o afastamento e a investigação enquanto se declara vítima da atuação atribuída a Rodrigues.

Texto produzido pela Redação Fato Aberto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Receba nossa newsletterUma seleção diária, direto na sua caixa de entrada.

As mais lidas

  1. 1
  2. 2
  3. 3
  4. 4
  5. 5