O advogado-geral da União, Jorge Messias, avalia que a decisão de André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), de afastar Andrei Rodrigues da direção-geral da Polícia Federal teve motivação política e poderia favorecer Flávio Bolsonaro na disputa pela Presidência.
Na avaliação atribuída a Messias, Mendonça estaria usando a relatoria do processo que investiga o Banco Master para provocar uma desestabilização política. O ministro foi indicado ao STF pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.
Messias e Mendonça mantinham uma relação de proximidade, associada à afinidade religiosa entre os dois. O ministro também atuou no Senado Federal em favor da indicação de Messias para a vaga de Luís Roberto Barroso.
Apesar dessa relação, Messias não mantém o mesmo entendimento com Andrei Rodrigues. Os dois continuam em conflito desde que o advogado-geral decidiu não levar adiante um pedido de investigação contra Mendonça por suposto abuso de autoridade em processos sob relatoria do ministro. Eles conversaram rapidamente durante a cerimônia do 7 de Setembro.
Pedido de Lula e reversão do afastamento
Foi Luiz Inácio Lula da Silva quem pediu à Advocacia-Geral da União uma solução para contestar a determinação de Mendonça. Messias então sugeriu um recurso que pudesse ser enviado diretamente ao plenário do STF. A preocupação era que, dependendo do tipo de reclamação, o caso fosse analisado pela Segunda Turma, onde já haveria maioria para manter o afastamento de Rodrigues.
A avaliação interna na AGU era de que Fachin acolheria o pedido. Antes disso, porém, Flávio Dino reintegrou o diretor-geral da Polícia Federal ao cargo na manhã desta quarta-feira 9.
A decisão provocou incômodo em Messias. Para o advogado-geral, a medida de Dino é juridicamente frágil, pode gerar insegurança jurídica e agravar a crise em torno do caso.







