A Advocacia-Geral da União pediu ao presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, a suspensão da decisão do ministro André Mendonça que afastou Andrei Rodrigues do cargo de diretor-geral da Polícia Federal. O pedido foi apresentado na noite desta terça-feira 8 e será analisado pela Corte.
No documento, o advogado-geral da União, Jorge Messias, afirma que o afastamento cautelar viola a prerrogativa constitucional do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, de nomear e retirar ocupantes de cargos de direção na Polícia Federal. Para Messias, a mudança interrompe a gestão do órgão e pode afetar as atividades de polícia judiciária.
A AGU também sustenta que os fatos já estão sob condução de Fachin desde a última quinta-feira 3. Na ocasião, o presidente do STF concedeu cinco dias úteis para que autoridades, incluindo Andrei Rodrigues, apresentassem manifestações.
Messias argumenta ainda que a decisão de Mendonça antecipou a análise de medidas cautelares e levou à Segunda Turma do STF uma questão que, conforme o próprio relator, deveria ser examinada pelo Plenário.
Origem da disputa
A crise começou depois que a Polícia Federal pediu à AGU uma investigação sobre a conduta de Mendonça. O ministro é relator de duas apurações: uma relacionada ao Banco Master e outra sobre fraudes no INSS. A PF apontou que ele estaria extrapolando a função de juiz e interferindo em decisões da corporação.
Depois, Mendonça retirou o sigilo de conversas entre o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, do Master. As conversas foram obtidas em uma investigação determinada pelo próprio relator.
Moraes então pediu a Fachin que investigasse Mendonça por abuso de autoridade e improbidade administrativa. Nesta terça-feira, Mendonça decidiu pelo afastamento de Andrei Rodrigues da direção-geral da Polícia Federal.








