A Procuradoria-Geral da República pediu ao ministro André Mendonça esclarecimentos sobre a autorização para que a Polícia Federal consulte integralmente um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) relacionado a pagamentos feitos por Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.
Em despacho divulgado na terça-feira, a PGR afirmou que não encontrou nos autos disponibilizados registro de decisão de Mendonça sobre o acesso da PF ao documento completo. O órgão solicitou que o gabinete informe se nenhuma decisão foi tomada e, caso tenha havido autorização, confirme se o relatório está disponível para consulta dos ministros.
A Polícia Federal havia pedido, em março, acesso ampliado à relação de pagamentos. O Coaf registrou movimentações destinadas a pelo menos 303 pessoas físicas e 520 pessoas jurídicas. Até o momento mencionado no despacho, porém, havia sido disponibilizado à corporação apenas um documento parcial, com informações sobre transferências para a Igreja Lagoinha, administrada por Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro.
Documentos tornados públicos
Na segunda-feira 14, Mendonça tornou públicos documentos de uma petição cuja existência, segundo a PGR, era desconhecida pelo órgão porque o procedimento estava oculto no sistema do Supremo Tribunal Federal (STF).
A solicitação para retirar o sigilo foi apresentada por Alexandre de Moraes no domingo 13 e autorizada por Edson Fachin na segunda-feira 14.
Também houve um pedido para acessar um celular de Vorcaro que estava sob custódia da PF. Uma cópia lacrada do aparelho permanecia no gabinete de Mendonça. Magistrados do STF passaram a suspeitar que os relatórios incluam pagamentos feitos pelo banqueiro ao instituto ligado ao ministro, conforme as informações registradas no caso.







