BAHIA — O Tribunal Regional Eleitoral da Bahia barrou, por unanimidade, a candidatura à reeleição do deputado estadual Kleber Cristian Escolano de Almeida, conhecido como Binho Galinha, do Avante. A decisão foi tomada nesta segunda-feira 14, após pedido de impugnação apresentado pelo Ministério Público Eleitoral.
Segundo investigações da Polícia Federal, o parlamentar seria líder de uma milícia responsável por lavar dinheiro do jogo do bicho na Bahia. Ele está preso desde outubro do ano passado, mas conseguiu registrar a candidatura.
Em julho, a Vara Criminal de Feira de Santana condenou Binho Galinha a mais de 36 anos de prisão por crimes relacionados a armas de fogo. O armamento foi encontrado pela Polícia Federal em dezembro de 2023, durante a Operação El Patrón. O político havia sido preso por suspeita de chefiar uma organização criminosa em Feira de Santana, cidade localizada a 116 quilômetros de Salvador.
Argumentos no julgamento
Em parecer enviado ao TRE da Bahia, o procurador Cláudio Gusmão afirmou que o histórico do deputado comprometeria a moralidade necessária ao exercício do mandato e a liberdade de voto dos eleitores. O Ministério Público Eleitoral também citou entendimento recente do Tribunal Superior Eleitoral sobre a atuação de organizações criminosas e a possível interferência no processo eleitoral.
O relator, desembargador Moacyr Pitta Filho, divergiu sobre a aplicação da tese usada pelo TSE em candidaturas no Rio de Janeiro. Ele afirmou, porém, que os elementos sobre a suposta liderança de Binho Galinha colocariam em risco a liberdade de voto na região de Feira de Santana.
“A atividade ilícita não é só o jogo do bicho, como também a agiotagem”, declarou o magistrado. Segundo ele, policiais, “pelo menos 6 ou 7”, estariam no núcleo da organização criminosa armada e dariam segurança ao líder e às atividades de agiotagem.
A decisão pode ser contestada no TSE.








