LISBOA — Rui Pinto será retirado do programa especial de proteção de testemunhas de Portugal em 10 de outubro, após receber segurança policial desde agosto de 2020. O fundador do Football Leaks afirma que está sob ameaça e abriu uma campanha na plataforma GoFundMe para custear sua proteção.
Pinto divulgou na rede X que foi informado da decisão pelas autoridades portuguesas na quarta-feira, um dia depois de a Premier League anunciar o veredicto que considerou o Manchester City culpado de quase todas as 115 acusações apresentadas contra o clube por supostas violações das regras financeiras da competição.
“múltiplas ameaças de morte”, escreveu Pinto ao descrever a situação. Seus advogados afirmaram que o caso é crítico e lembraram que ele foi agredido em Lisboa em abril. A defesa informou que recorrerá da decisão de encerrar a proteção.
Relação com o caso Manchester City
As acusações contra o clube foram divulgadas pela Premier League em fevereiro de 2023. A liga apontou 80 supostas violações financeiras entre 2009 e 2018 e acrescentou 35 acusações relacionadas à falta de cooperação com a investigação iniciada em dezembro de 2018.
As denúncias incluíam a apresentação de informações financeiras consideradas imprecisas, valores inflacionados em acordos de patrocínio e pagamentos que complementariam salários de treinadores e jogadores. As informações que deram origem às acusações vieram de supostos e-mails internos do Manchester City divulgados pelo Der Spiegel e pelo Football Leaks.
Richard Masters, diretor executivo da Premier League, afirmou que o processo e a decisão eram os mais significativos da história da competição. Entre as possíveis punições mencionadas está a expulsão do Manchester City da liga.
Trajetória de Rui Pinto
Natural de Vila Nova de Gaia e torcedor do FC Porto, Rui Pinto criou o Football Leaks em 2015 para divulgar informações sobre negócios no mercado de transferências e direitos econômicos de clubes e jogadores. Em 2016, arquivos chegaram ao Der Spiegel e à European Investigative Collaborations, que publicaram conteúdos envolvendo clubes como Benfica, Manchester City e Paris Saint-Germain.
Os documentos também trataram de possíveis casos de evasão fiscal e citaram Cristiano Ronaldo, José Mourinho, Falcão, Di Maria e Gianni Infantino.
Pinto foi detido em Budapeste em 2019 e extraditado para Portugal. Em 2023, foi condenado a 4 anos de prisão, com pena suspensa. Em abril de 2026, foi absolvido pelo Tribunal de Lisboa em um segundo processo, que envolvia 241 crimes. O Benfica recorreu da absolvição, e o processo continua em curso.
Desde 2020, Pinto colaborava com a Justiça e entregava arquivos às autoridades. O programa de proteção incluía habitação em localização desconhecida, proteção policial, documentos com identidade falsa, transporte gratuito e subsídio de subsistência. Seus advogados afirmam que a interrupção da proteção o deixa em situação de vulnerabilidade.







