EMIRADOS ÁRABES UNIDOS — O procurador-geral dos Emirados Árabes Unidos afirmou que o copiloto de um voo da FlyDubai para Israel atacou o comandante com um machado de emergência e tentou assumir o controle da aeronave. Hamad Saif al-Shamsi classificou o episódio como uma tentativa de ataque terrorista.
O caso ocorreu no voo FZ1073, que transportava 182 pessoas com destino a Tel Aviv. O comandante conseguiu destrancar a porta da cabine enquanto era atacado, permitindo a entrada de passageiros e tripulantes. O grupo dominou o copiloto e ajudou a estabilizar o avião.
A investigação continua para esclarecer as circunstâncias do incidente, os motivos e eventuais ligações do copiloto, além de concluir exames técnicos e analisar provas físicas e digitais, informou al-Shamsi. O machado usado no ataque é uma ferramenta disponível na cabine para situações de emergência.
Histórico do copiloto
O copiloto foi identificado como Hamam al-Hammami, cidadão de Omã nascido nos Emirados Árabes Unidos. Ele havia trabalhado na Oman Air, companhia aérea nacional de Omã, mas foi afastado das funções de voo por preocupações relacionadas a sinais de posições extremistas. Depois, foi transferido para tarefas administrativas.
Fontes ligadas ao caso afirmaram que Omã havia impedido al-Hammami de voar por receios sobre convicções ideológicas radicais. Mais tarde, ele foi contratado pela FlyDubai. Ainda não está claro como foi feita a verificação de seu histórico no momento da contratação. A conta dele no Instagram permaneceu ativa até o dia do voo e foi apagada depois.
O fato de al-Hammami estar trabalhando na cabine é uma das questões centrais da investigação. Israel mantém acordos com companhias aéreas estrangeiras para impedir que pilotos voem para o país quando são cidadãos de Estados que não têm relações diplomáticas com Israel. Omã e Israel não mantêm relações diplomáticas formais.
Serviços de segurança de quatro países da região investigam os motivos do copiloto, com apoio dos Estados Unidos e de outros governos ocidentais. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou que o copiloto passou por um processo de radicalização islamista, mas não apresentou provas.
O comandante Smit Machchhar, cidadão indiano, relatou a Narendra Modi, primeiro-ministro da Índia, que lutou para abrir a porta da cabine enquanto era atacado. Em um vídeo gravado da cama de um hospital na Arábia Saudita, Machchhar disse: “Estava a lutar pela minha vida”.
O conselheiro presidencial dos Emirados Anwar Gargash afirmou que o piloto demonstrou coragem e responsabilidade diante do episódio. Após o incidente, os Emirados Árabes Unidos cancelaram todos os voos para Israel, enquanto a companhia israelense El Al suspendeu os voos previstos para os Emirados. Os dois países acordaram voos de repatriamento para levar os passageiros de volta.







