São José dos Campos, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Crianças europeias terão mais exposição a incêndios extremos, aponta estudo

Pesquisa estima aumento de mais de três anos sob condições extremas de incêndio para nascidos em 2025, caso políticas climáticas atuais continuem.

Crianças europeias terão mais exposição a incêndios extremos, aponta estudo

Crianças nascidas na Europa em 2025 poderão viver mais de três anos adicionais sob condições meteorológicas extremas de incêndio, em comparação com pessoas nascidas em 1950, caso sejam mantidas as políticas climáticas atuais. A estimativa é de um estudo da Vrije Universiteit Brussel publicado na revista científica Environmental Research Letters.

A projeção representa um aumento de 84% na exposição ao longo da vida. Os pesquisadores definem condições meteorológicas extremas de incêndio como os dias em que o índice meteorológico de incêndio (FWI) supera os valores registrados nos 5% de dias mais altos de cada país entre 1985-2014.

“Uma criança que nasça hoje na Europa passará mais anos da sua vida sob condições meteorológicas extremas de incêndio e, no Mediterrâneo, esse fardo é particularmente pesado”, afirmou Rosa Pietroiusti, autora principal da pesquisa.

Portugal terá uma das maiores altas

A região mediterrânea deve registrar os maiores aumentos, segundo o estudo. Pessoas nascidas em 2025 nessa área poderão enfrentar até 2,5 vezes mais exposição a condições extremas de incêndio do que as nascidas em 1950. Se o aquecimento global alcançar mais 2,6 °C até 2100, isso equivaleria a mais de cinco anos adicionais sob essas condições ao longo da vida.

Portugal é apontado como o país europeu com a maior proporção do território atingida por incêndios nas últimas décadas. No país, a quantidade de dias com condições meteorológicas extremas de incêndio deve passar de 14 dias por ano em 1950-1970 para 32 dias por ano até 2100, sob as políticas climáticas atuais.

Nesse cenário, uma criança nascida hoje em Portugal passaria cerca de 6,5 anos da vida sob condições extremas de incêndio. Cada grau adicional de aquecimento global até o fim do século acrescentaria aproximadamente 272 dias a essa exposição para uma criança portuguesa nascida em 2025, estimam os pesquisadores.

A Europa está aquecendo a mais do dobro da média global, de acordo com o estudo. Ondas sucessivas de calor e longos períodos de seca criaram condições favoráveis para incêndios florestais na Espanha, na França e na Grécia, que queimaram centenas de milhares de hectares e provocaram uma das maiores operações de evacuação desde a Segunda Guerra Mundial.

Redução de combustíveis fósseis

A pesquisa conclui que uma redução rápida do uso de combustíveis fósseis diminuiria a exposição a condições perigosas de incêndio em todas as regiões. O cumprimento do objetivo do Acordo de Paris, com o aquecimento limitado a 1,5 °C até 2100, reduziria em média a exposição ao longo da vida de pessoas nascidas em 2025 em 1,3 anos na Europa e em mais de dois anos nas áreas mais afetadas do sul do continente.

Wim Thiery, autor sênior do estudo, afirmou que a queda nos custos da energia eólica e solar torna esse objetivo “absolutamente exequível”. Para Pietroiusti, movimentos de justiça climática liderados por jovens e iniciativas legais buscam ações mais ambiciosas de governos e empresas para reduzir os impactos futuros dos riscos climáticos.

A Organização das Nações Unidas informou, no início deste mês, que já não é possível manter o aquecimento global abaixo de 1,5 °C. O cenário mais otimista indicado é de 1,8 °C, enquanto algumas projeções apontam para mais de 2 °C.

O Programa das Nações Unidas para o Ambiente (UNEP) afirma que limitar esse excesso de aquecimento depende da transição para energias limpas. Em 2025, as fontes renováveis geraram quase 34% da eletricidade mundial, mas essa participação precisaria chegar a 60 a 70% até 2030 para contribuir para um cenário de aquecimento limitado.

Texto produzido pela Redação Fato Aberto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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