NOVA DÉLHI — A cúpula do Brics começa neste sábado (12) em meio à retomada do diálogo entre Índia e China. O presidente chinês, Xi Jinping, deve chegar à capital indiana após seis anos sem visitar o país. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não participará do encontro, e o Brasil será representado pelo chanceler Mauro Vieira.
Os presidentes da Rússia, Vladimir Putin, e do Irã, Masoud Pezeshkian, chegaram à Índia nesta sexta-feira (11), véspera do início da reunião. Putin foi recebido pelo primeiro-ministro Narendra Modi, com quem realizou uma reunião bilateral. O Ministério das Relações Exteriores da Índia informou que os dois discutiram questões regionais e globais, incluindo os conflitos no Oriente Médio e no Mar Negro, além dos efeitos sobre o comércio marítimo e a segurança dos marinheiros indianos.
A visita de Xi é apresentada como uma nova etapa na reaproximação entre Pequim e Nova Délhi, seis anos após um confronto militar na fronteira disputada do Himalaia. Os dois países retomaram gradualmente as relações, embora a desconfiança permaneça. Xi deve se reunir individualmente com Modi à margem da cúpula, que terá dois dias de duração.
Modi publicou uma mensagem de boas-vindas em sânscrito: “Só se pode estabelecer diálogo e amizade com os virtuosos, nunca com aqueles que não o são”. A porta-voz da diplomacia chinesa, Mao Ning, afirmou que a China está disposta a reforçar a comunicação e a cooperação com a Índia e a administrar as diferenças entre os dois países.
Conflitos e expansão do bloco
Criado em 2009, o Brics reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. O grupo se expandiu e passou a incluir, entre outros países, Irã e Emirados Árabes Unidos, cujos representantes são esperados em Nova Délhi.
As discussões devem abordar o conflito no Oriente Médio, a guerra entre Rússia e Ucrânia e os efeitos dos confrontos sobre os preços do petróleo e do gás. A posição do Irã também pode expor divergências internas. Rússia e China mantêm negociações com Teerã, enquanto os Emirados Árabes Unidos suspenderam em agosto suas trocas comerciais e financeiras com o país após ataques com mísseis iranianos.
O economista Shilan Shah, do centro de estudos Capital Economics, afirmou que a guerra contra o Irã testa a coesão do grupo. Harsh V. Pant, do Observer Research Foundation, disse que o conflito deve ser a principal divisão durante a cúpula.
A Índia mantém relações com o Irã e a Rússia, mas tenta equilibrar esses vínculos com suas relações com os Estados Unidos. O país continuou a importar petróleo russo apesar das sanções americanas. Modi também pediu a Putin que encontre uma saída para o conflito com a Ucrânia.
A predominância econômica chinesa será outro tema possível. As exportações da China para parceiros do Brics, especialmente a Índia, devem alimentar discussões durante o encontro.







