São José dos Campos, Sexta-feira, 2 de outubro de 2026
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Famílias buscam 11 salvadorenhos enviados pelos EUA ao Cecot

Acordo migratório entre os governos de Donald Trump e Nayib Bukele levou 36 salvadorenhos a prisões de El Salvador em 2025.

Famílias buscam 11 salvadorenhos enviados pelos EUA ao Cecot

Famílias de 11 salvadorenhos expulsos dos Estados Unidos para El Salvador há um ano e meio ainda tentam descobrir onde eles estão detidos. Os homens foram enviados ao país entre março e abril de 2025, acusados pelos governos americano e salvadorenho de envolvimento com gangues, e levados inicialmente ao Centro de Confinamento do Terrorismo (Cecot), uma prisão de segurança máxima.

As transferências ocorreram em três voos militares, em 15 e 30 de março e 12 de abril. Ao todo, 36 salvadorenhos foram enviados a El Salvador junto com 252 venezuelanos. Os venezuelanos deixaram a prisão em julho de 2025, após uma negociação entre os governos dos Estados Unidos, de El Salvador e da Venezuela. Os salvadorenhos, porém, não tiveram o mesmo desfecho.

A Human Rights Watch (HRW) e organizações de defesa dos direitos humanos identificaram 11 dos 36 salvadorenhos. Com medidas cautelares concedidas pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos, foi possível estabelecer o paradeiro de seis deles: um está no Cecot e os outros cinco, no Centro de Execução de Penas e Reinserção de Santa Ana. As autoridades salvadorenhas não informaram onde estão os demais.

Acordo entre os governos

O envio ocorreu depois que os governos de Donald Trump e Nayib Bukele firmaram um acordo migratório secreto. Em 4 de fevereiro de 2025, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, disse que El Salvador aceitaria receber pessoas expulsas dos Estados Unidos, incluindo integrantes do Tren de Aragua e da Mara S13, e mantê-las em suas prisões.

Uma carta do Departamento de Estado dos Estados Unidos, datada de 22 de março de 2025, registrou a concessão de US$ 4,76 milhões para apoiar estruturas penitenciárias e logísticas destinadas à detenção dos migrantes no Cecot. A transferência estava condicionada à proibição de El Salvador de oferecer recursos ou assistência jurídica aos solicitantes de asilo.

A Cristosal e a HRW afirmam que os detidos não tiveram acesso a juiz, tribunal ou procedimento judicial. As organizações também relataram torturas físicas, psicológicas e sexuais no Cecot. Para Nathalye Cotrino, pesquisadora da HRW, a falta de informações sobre o paradeiro dos presos caracteriza desaparecimento forçado.

Buscas das famílias

Glenda procurou o irmão, Elmer Concepción Romero Yanes, depois de reconhecê-lo em um vídeo oficial da chegada dos voos militares. Ele desembarcou em 31 de março de 2025 e foi apresentado como integrante da Mara Salvatrucha (MS-13). Após um ano e meio sem informações, o governo de El Salvador reconheceu, em junho, que Elmer estava detido em Santa Ana.

Em relatório enviado à Comissão Interamericana de Direitos Humanos, datado de 9 de junho de 2026, o Estado salvadorenho informou que Elmer estava detido incomunicável. A família recebeu um certificado da promotoria indicando que ele não tinha antecedentes criminais, mas não recebeu explicações sobre a base legal da prisão.

Karen busca o irmão, Kevin Rolando Barrera Torres, enviado a El Salvador em 15 de março de 2025. Segundo a procuradora-geral, ele estava entre os expulsos naquele voo. A família afirma que Kevin foi acusado de pertencer a gangues em El Salvador, mas acabou liberado depois que sua inocência foi comprovada.

Os advogados das famílias dizem não ter acesso aos processos nem às acusações que justificariam as detenções. Kelvi Zambrano, que representa nove das 11 famílias identificadas, afirma que apresentou uma denúncia contra El Salvador por desaparecimento forçado. O governo salvadorenho não respondeu aos pedidos de acesso ao Cecot e à prisão de Santa Ana nem às perguntas encaminhadas sobre os casos.

Texto produzido pela Redação Fato Aberto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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