PORTUGAL — A Festa do Avante!, organizada anualmente pelo Partido Comunista Português (PCP) desde 1976, voltou a reunir dezenas de milhares de pessoas em sua 50ª edição. O público incluiu pessoas de todas as idades, entre elas muitos jovens, atraídos tanto pela programação política quanto pelos concertos, pela comida e pelo preço do passe de três dias, vendido por 35 euros.
O encontro começou dois anos depois da restauração da democracia e da legalização do PCP, que antes atuava na clandestinidade. A festa segue o modelo de eventos associados aos jornais oficiais de partidos comunistas europeus, como a Fête de l'Humanité, na França, e a Festa dell'Unità, na Itália.
A dimensão política do evento foi marcada neste ano pela controvérsia envolvendo a Frente Popular de Libertação da Palestina (FPLP), organização incluída pela União Europeia em sua lista de grupos terroristas. O PCP havia convidado a entidade para participar, mas ela não compareceu. O partido afirmou que “não estavam reunidas as condições”.
Palestina e política interna
No discurso de encerramento, o secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo, tratou principalmente da política interna. Sobre a FPLP, negou que tenha havido um “desconvite” e questionou os critérios da lista da União Europeia. O partido também mantém uma posição sobre a guerra na Ucrânia que não inclui uma condenação clara da invasão russa.
A causa palestiniana esteve presente em diferentes pontos da festa, com keffiyehs ao lado de bandeiras vermelhas e camisetas de Che Guevara. Raimundo afirmou que apoiar a Palestina não significa ser contra todos os israelitas e destacou a presença do Partido Comunista de Israel.
A festa ocorre na Quinta da Atalaia, na margem sul do Tejo, terreno que pertence ao PCP desde 1989. Além da política, o evento oferece comidas de várias regiões de Portugal e de outros países.
A programação musical teve a diversidade como característica. A Nona Sinfonia, de Beethoven, abriu os concertos do palco principal na sexta-feira. No sábado, Ney Matogrosso provocou a maior concentração de público. O cantor brasileiro, de 85 anos, participou de um concerto criado pelo guitarrista português Pedro Jóia e também dividiu o palco com Manuel João Vieira na música “Hasta Siempre Comandante”.
A festa ocorre em um momento de menor representação parlamentar do PCP. Em 1976, o partido elegeu 40 deputados nas primeiras eleições legislativas livres após o 25 de Abril. Atualmente, tem três.







