São José dos Campos, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Importações de materiais verdes podem reduzir o custo da indústria europeia

Estudo aponta que importar amônia, metanol e ferro verde permitiria manter etapas industriais na Europa com menor gasto.

Importações de materiais verdes podem reduzir o custo da indústria europeia

Um estudo elaborado por pesquisadores do Euro-Mediterranean Center on Climate Change, do Politecnico di Milano e da Technische Universität Berlin aponta que a Europa pode preservar parte de sua capacidade industrial durante a descarbonização ao importar materiais cuja produção exige muita energia.

A estratégia permitiria manter nas fábricas europeias as etapas mais avançadas da produção de bens de maior valor. Entre os materiais que poderiam ser comprados de outras regiões estão a amônia, o metanol e o ferro briquetado a quente (HBI), usado na fabricação de aço.

Importar pode custar menos do que relocar fábricas

Os pesquisadores simularam até 2050 a produção europeia de aço, cimento e produtos químicos. No modelo, a importação de materiais verdes gerava mais economia do que a transferência de fábricas para áreas europeias com eletricidade renovável mais barata.

Quando a relocalização era permitida, a produção se concentrava na Espanha, nos países nórdicos e no Reino Unido. O cálculo, porém, não incluía os gastos para mudar instalações, construir infraestrutura, contratar trabalhadores e reorganizar cadeias de abastecimento.

O estudo também avaliou cenários com redução de 90 % dos gases de efeito estufa até 2040. Neles, a maior parte do aço, da amônia e do metanol seria produzida com hidrogênio verde, obtido com eletricidade renovável. A siderurgia também usaria mais sucata reciclada e eletrificaria mais processos, reduzindo o uso de carvão e gás.

Até 2050, quase toda a amônia e o metanol poderiam ser importados nesse cenário. Com isso, a Europa precisaria produzir cerca de 25 % menos hidrogênio verde.

Cimento e custos da transição

O cimento apresenta uma dificuldade adicional: o próprio processo de fabricação libera dióxido de carbono, mesmo quando a energia usada vem de fontes sustentáveis. A captura das emissões nas cimenteiras poderia diminuir a liberação para a atmosfera, embora críticos afirmem que a tecnologia ainda não foi comprovada em escala industrial.

A transição exigiria mais investimentos por volta de 2040, quando seriam necessários gastos elevados com infraestrutura e equipamentos. Os custos cairiam até 2050, mas a Europa continuaria em desvantagem diante de regiões com energia renovável mais barata.

Manter toda a produção internamente elevaria as despesas com subsídios para mais de 200 bilhões de euros por ano. No cenário mais caro analisado, os governos teriam de gastar cerca de 235 bilhões de euros por ano para cobrir a diferença entre os custos europeus e os preços de importação.

Riscos das cadeias internacionais

A dependência externa também traria riscos. O estudo não considera guerras, pandemias e outros eventos capazes de interromper cadeias internacionais. O texto menciona ainda a interrupção de envios de petróleo, gás e fertilizantes pelo estreito de Ormuz durante o conflito no Oriente Médio, além dos cortes russos no fornecimento de gás após a invasão da Ucrânia.

Os pesquisadores afirmam que ferro verde, amônia e metanol podem ser enviados de qualquer região com energia renovável barata. Para Massimo Tavoni, coautor do estudo e diretor do instituto na CMCC Foundation, a Europa deve combinar descarbonização, preservação da capacidade industrial existente, apoio público temporário e importações verdes.

Texto produzido pela Redação Fato Aberto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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