Marine Le Pen declarou ter “total confiança” em Jordan Bardella, três dias depois da divulgação de novas mensagens atribuídas ao presidente do Rassemblement National. Os registros, apresentados como sendo de 2013, contêm declarações antissemitas e conspiratórias que Bardella teria escrito aos 17 ou 18 anos.
As mensagens mencionariam a suposta intenção de um judeu de dominar, esmagar e roubar outros povos. Também atribuiriam a Bardella a afirmação de que um sionista seria necessariamente judeu e a acusação de que alguns ministros do quinquênio de François Hollande priorizariam Israel e interesses bancários em detrimento dos interesses franceses.
Bardella classificou o material como “falsificações grosseiras” e afirmou que as acusações seriam os primeiros sinais de uma ofensiva para prejudicar a campanha presidencial do Rassemblement National. Ele anunciou duas queixas: uma por difamação e outra por falsificação e uso de documento falso.
A apuração sobre os registros também relacionou a formação política de Bardella à influência de Alain Soral, ideólogo de extrema-direita condenado por incitação ao ódio racial, injúrias antissemitas, homofobia e negacionismo. As mensagens teriam sido autenticadas pela Meta a partir de uma extração de arquivos do Facebook, conforme a descrição apresentada sobre o material.
Efeito nas pesquisas
Marine Le Pen é apontada como candidata do Rassemblement National à Presidência da França e considera Bardella para o cargo de primeiro-ministro caso vença a eleição presidencial de 2027. Levantamentos citados no debate eleitoral indicam que ela tem entre 30% a 35% das intenções de voto no primeiro turno, à frente de Édouard Philippe e Jean-Luc Mélenchon, da La France Insoumise.
Uma fonte da equipe de campanha avaliou que a controvérsia não alterou esse patamar de apoio. A mesma fonte afirmou que, para Le Pen, é possível que as mensagens sejam autênticas, mas que elas refletiriam a posição de um adolescente influenciado por Soral e não a de quem Bardella é hoje.
Le Pen já havia rejeitado as acusações quando os primeiros registros foram divulgados. A expectativa é de que ela e Bardella participem juntos, na terça-feira, de uma entrevista coletiva para apresentar uma proposta alternativa ao orçamento do governo.
Também foi levantada a possibilidade de o partido não apresentar uma moção de censura caso o governo recorra ao artigo 49.º, n.º 3, mecanismo que permite aprovar um texto sem votação, salvo se uma moção de censura obtiver maioria.







