São José dos Campos, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Marrocos rejeita culpa por entrada de migrantes em Ceuta e amplia crise em Madri

Governo marroquino nega participação na chegada de mais de 70 mil migrantes e questiona acusações em meio à crise política espanhola.

Marrocos rejeita culpa por entrada de migrantes em Ceuta e amplia crise em Madri

O governo do Marrocos negou qualquer participação de suas autoridades na entrada em massa de migrantes em Ceuta e afirmou que não aceitará ser responsabilizado por disputas políticas na Espanha. A declaração ocorre enquanto o primeiro-ministro Pedro Sánchez enfrenta críticas após a divulgação de documentos que registravam alertas prévios sobre a situação migratória no enclave espanhol.

Em comunicado, o Ministério das Relações Exteriores do Marrocos afirmou que nenhum dado ou relatório comprova o envolvimento de autoridades do país. O órgão também declarou que o reino não será usado como instrumento de campanha eleitoral nem como responsável por acertos políticos internos da Espanha.

Mais de 70 mil migrantes atravessaram a fronteira para Ceuta, a pé ou a nado, nos dias 30 e 31 de julho. O território é um dos dois únicos pontos de fronteira terrestre da Europa com a África, junto com Melilla. O episódio provocou mortes e desaparecimentos. Embora a maioria tenha retornado pouco depois, vários milhares permaneceram em Ceuta, inclusive em ruas e praias.

A posição de Rabat foi divulgada depois do vazamento de um relatório policial que mencionava possível tolerância das forças de segurança marroquinas durante a travessia. Sánchez, por sua vez, declarou que não havia evidências da participação do Marrocos, afirmação contestada por integrantes da oposição.

Alertas antes da chegada

Na quarta-feira (9), o governo espanhol publicou 40 relatórios e comunicados produzidos entre 1º e 31 de julho. Os documentos, antes sigilosos, mostram que órgãos do governo, incluindo o Centro Nacional de Inteligência (Cenif), alertaram sobre o crescimento das tentativas de travessia marítima.

Os avisos foram enviados em 29 de julho e indicavam a possibilidade de uma ação simultânea pelo posto de fronteira e pelo mar. Um documento do Cenif registrou comunicações entre grupos de migrantes que planejavam incursões em massa na noite de 29 de julho de 2026.

O órgão também contabilizou quase mil travessias a nado da fronteira marroquina entre 1º e 28 de julho. Em uma nota urgente emitida na tarde de 29 de julho, o Cenif citou a organização de ações de incursão em Ceuta em grupos do Facebook, um deles com mais de 160 mil integrantes.

Sánchez reconheceu a existência dos alertas, mas afirmou que os relatórios descreviam a situação na fronteira sem indicar a dimensão que a crise alcançaria. O primeiro-ministro também disse que os documentos não traziam provas de que o Marrocos tivesse planejado ou provocado o episódio.

A oposição e setores da imprensa discordam. Para os críticos, as informações eram suficientes para mobilizar o Exército e impedir as travessias. Eles sustentam que a falta de reação teria relação com a intenção de preservar as relações entre Madri e Rabat.

Texto produzido pela Redação Fato Aberto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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